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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Legs and Boots

Legs and Boots...


Legs and Boots...

segunda-feira, 26 de julho de 2010

For Son House


Dormi em estações do metrô, em camas de motéis velhos e sujos e no chão de amigos. Fui à clubes noturnos do público branco e pessoas intragáveis aqui em sampa, todos querendo ser descolados e cool a qualquer custo.
O primeiro violão quebrado ganhei na igreja e, lá mesmo, forjei alguns acordes. Corri da igreja atrás do diabo que deixou Robert Johnson virtuoso, mas ele já não era visto há alguns anos. Concluí que ele deve ter permanecido na mesma encruzilhada em 1925 e em chamas.
Só fui encontra-lo anos mais tarde alojado em uma garrafa. Tomei tudo, até a última dose e gota na semana passada. Acabou!
Aqueci meu bottleneck na fogueira depois que você matou aquele cara. Me trouxe problemas até os ossos e, mesmo assim, elas permaneceram se chacoalhando com “My Black Mama” e “Death Letter”.
Alguns caras se dizem seu pupilo hoje em minha cidade e entendem de técnicas e instrumentos caros, sendo parte de uma elite de músicos que não fez mais que olhar pro seu próprio umbigo. 
Esqueceram de dizer a eles que, em 1927, um violão custava 3 dólares, o que fez com que muitos despojassem talento empunhando um violão ou gaita, cantando gospel e/ou folk, grande depressão e lei seca, e que você tão pouco tinha todos os dentes em sua boca.
– “Quem precisa dessa elite paulistana do blues?”
Te trouxeram de volta em 1964, seus jovens admiradores ingleses, certo?! Fico imaginando você rodeado deles e pensando - “ Rolling Stones, hein?! Isso é um pouco familiar” e as perguntas velhas sobre Robert Johnson e Charlie Patton. Pra eles são meros fantasmas, mas foram seus parceiros em outra época.
Ok, House! Sei que matou em legitima defesa, talvez um marido ciumento, certo? Não faz mal, você nos ensinou e até hoje elas chacoalham o quadril.
Certa vez, acordei em uma praça e, em outras noites, camas de estranhos - “Merda, onde eu estou!”.Isso também deve ter acontecido um dia com você, não é?!
Todos te copiaram, mas ficaria desapontado e surpreso em saber que não há blues nas periferias.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

me and the devil


Desci até a moradia das almas, sul do céu. Lá chegando encontrei um figurão que dizia ser o diabo não mitológico, resolvo acreditar: - Seguiu-se o diálogo:
Eu: És tu o vagabundo original de Gorki, o rei da putaria ou És... a noiva?
Diabo: Tenho me saído bem!
Eu: Também odeio versos, baby.
Diabo: Não permaneça muito tempo com a mesma mulher.
Eu: Bela dica, chifrudo!
Diabo: E esse dieta a base de drogas, vai acabar te matando. Perde tempo sendo excessivo.
Eu: Ora essa!
Diabo; Andei observando toda a arquitetura.
Eu: Ei, quem disse que você não sabe das coisas?!
Diabo: Você sabe, tá difícil te aturar, porra!
Eu: Paul Latarque disse certa vez sobre o trabalho - “Somente escravos são capazes de uma tal humilhação.”
Diabo: Não quero utilizar minha reserva de plutônio, está bem?
Eu: Certo, agora que nos conhecemos posso levar o blues adiante não é?!
Fumaça e cheiro de combustível queimando,
partículas de carbono no ar.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Amsterdam

 
Coffee Shop Highway in Amsterdam

Ainda não fui à Amsterdã fumar um bom cânhamo e
visitar o Red Light District e o Mercado das Flores.
Ouvi sobre um hotel, Bob´s Youth Hostel
de preço bom, escadas íngremes e o lobby é um porão.
Enquanto isso, minha doce viola não possui mais o mesmo gosto e cheiro
nem textura, perdeu seu veneno.
Com certo esforço lembro de algumas canções,
“Tattoed Lady” é uma delas e "Money ( That's what a want)" a outra. Mas antes esfrego um convés
cheio de limo metálico esperando pelo inverno nuclear e o céu pálido.
Perco minha última caneta chinesa e meu isqueiro...
chinês enquanto morremos feito baratas e outra pragas,
um cão vem até mim, comovido...
percebo que todos os supermercados são iguais
até a tinta da parede.
Na vitrola rola o velho Muddy Waters.



sábado, 19 de junho de 2010

Poema à Phil Lynott


Fomos ao museu local ver um pouco de arte abstrata,
mas curtíamos mesmo era o impressionismo,
caras como Monet, Van Gogh e Gauguin.  
Tinha saudades de Dublin e de sua antiga banda.
Fumamos alguns cigarros e o frio congelava nossos pés dentro das botas, 
mas estávamos seguros dentro dos casacos. 
Entramos no metrô rumo aos bares 
do outro lado da cidade que ele insistiu conhecer. 
Pub's – dizia animado. 
No caminho me contou coisas fantásticas sobre sua terra natal, 
as gangues nas ruas, as garotas, 
os grandes escritores, compositores e batalhas medievais.
O bar nos aguardava e tudo o mais que havia dentro dele. 
A banda local fazia o seu trabalho com um blues pesado e dinâmico.
Phil foi convidado ao palco para o próximo número. 
Não havia ninguém como ele no palco com tamanha presença e 
sua linda voz de negro irlandês, 
no entanto, fora dele 
sua vida podia ser um pouco tumultuada e confusa.
Escrevia belas poesias e as transformava em canções brilhantes. 
Alguns diziam que sua mãe era brasileira, 
mas ele nunca me contou.
No bar pude comprovar o sucesso com as garotas e... 
pelos deuses, como trabalhava em seu uísque, 
eu estava sempre na vodca.
O velho Phil, 
apesar de ter transitado pelo  folk e outros estilos e de sua serenidade, 
tenho covicção de que foi um dos mais dedicados Rocker's de sua geração.


 Philip Parris Lynott (1949 - 1986) poeta, músico e compositor 
  
Check it out, check his face
Look at his eyes, they’re so sly
I wonder why he cries from the inside
I wonder why he’s a renegade

Oh please, I’m on my begged bended knees
Oh please, please heed my call
He’s just a boy that has lost his way
He’s just a boy, that’s all
 
Phill Lynott, Snowy White


sexta-feira, 18 de junho de 2010

Vênus

  Vênus do espelho, 1650 Diego Velázquez (Espanha 1599-1660)

Ontem sonhei
com a Vênus que existe
no mundo real
e, sem dúvidas

bela entre as mulheres e deusas
com os cabelos mais compridos
e escuros

me trazia café enquanto eu
despertava de meu sono
e quase
fez eu acreditar
na veracidade
de tal sonho

sorte!
O tempo não foi suficiente
antes que eu tomasse o café
ela sumiu castanha
em fumaça fúnebre

cabelo castanho escuro
olhos castanho claro
e nunca tocarei sua Vênus
no entanto, uma coisa me perturbou
aquela manhã

não pude culpar a pobre consciência
mediante à infeliz
e pouco perturbadora descoberta:
a bela
era a fiel esposa de um amigo

terça-feira, 15 de junho de 2010

Ontem estive com o Elétron

O inglês Sir Isaac Newton (1649-1727), mais conhecido como físico e matemático, além de astrônomo, alquimista, filósofo e teólogo
  
Fui um jovem estudante de física/matemática,
eletrônica pra ser mais preciso.
Entendi a constituição dos átomos,
compreendendo o movimento ordenado de elétrons (corrente elétrica)
e utilizando
todas as propriedades matemáticas.

Estudei todos os físicos,
do inglês Joule ao alemão Georg Ohm.
O médico e físico inglês Willian Gilbert
e o dinamarquês David Bohr,
até o astrônomo sueco Anders Celsius,
autor de uma escala termométrica
que leva seu nome.

Em meu dia a dia,
cálculos de tempo em função da frequência.
Reflexão, refração e a propagação
de luz em uma fibra ótica.

Diodos, transistores,
microcontroladores e
microprocessadores (chip).
Calculei minuciosamente os números binários...
0, 1, 0, 1, 0, 1, 0, 1...
Magnetismo e eletromagnetismo,
montei circuitos com a precisão de
um neurocirurgião,
entre um choque e outro.
Gosto de chamar de
beijo de elétrons.

Noites desenhando plantas e diagramas elétricos,
e ainda,
tempo para as Leis de Ohm, Coulomb e Ampére.
No início,
foi difícil entender
porque você não vê
só calcula
e acredita que ela está lá.

Thomas Edison foi meu maior mentor.
de André-Marie Ampére fui pupilo,
escravo de Isaac Newton,
amante de René Descartes e
a puta mais quente de Michael Faraday.

sábado, 12 de junho de 2010

carcere e sonhos em minha pequena “guerra fria”

com certa dificuldade me lembro de algumas noites frias e adocicadas. ela seguia em suas viagens pelo leste europeu, antigo palco da Gurra Fria, nação formada por filhos do último czar Nicolau II ou Nicolau, o Sanguinário, como foi apelidado, enquanto eu dispersava minha mente para dimensões desconhecidas e leves encantos. uma frase ressoava em meus sonhos - “se deseja modificar sua personalidade não há nada melhor que o casamento”. lembro de noites em que estivera semi-vivo e insone, os sonhos surgiam em plena lucidez.

sentindo-me livre do carcere ao criar imagens naquele pequeno apartamento, imagens que me serviam de companhia. os pequenos fantasmas não levariam minha alma de certo, enquanto pequenos. queriam apenas levar minha sorte, mas convicto, resisto a suas ofertas e mimos. debruçava-me em um pouco de haxixe e vinho em tais ocasiões de meu perene encanto. lembro da madruga e a t.v me brindando com seu mal gosto, alguns cães uivando e o sono não era uma realidade. lembro de avistar o invisível e cores em meio à penumbra, enquanto dividia o “ego” em partes iguais na mesa de vidro me sentindo afortunado por tamanha solidão ocasional e esperando o amanhecer. última lembrança, uma cópia de Van Gogh na sala, onde 1,80m me separava de suas cores quentes e vibrantes, mas se aproximava na medida em que Baco (Dionísio grego) me enaltecia com sua visita. da mesma forma eu o reverenciava e a outras vidas passadas. era um carcere de belos e lúcidos sonhos.

sábado, 29 de maio de 2010

Beijando Meu Cérebro

Foto: Heudes Régis 
 
Caminho por entre teatros na Roosevelt, já sem mochila nas mãos. A polícia local me observe e comenta com os outros fardados. Talvez os cabelos chamam a atenção que com despeito querem tomar o mundo e desafiar as leis da gravidade. Comigo carrego apenas alimento intelectual e um outro para o ego e “entretenimento recreativo” que sigo ingerindo sem muita moderação.
O Sol indiano se põe me deixando menos febril e mais ébrio. As poucas flores que encontro pelo caminho sorriem para mim.
Noite paulistana, tropeço em figuras bem vestidas, grandes semi-artistas e artistinhas, então penetro bares-teatros e noite com uma trupe de chatos e fiéis companheiros de lascívia que surgem não menos trôpegos.
Tomo meu drinque barato e sigo beijando meu cérebro e bufando palavras conforme pedem minha benção e assim tudo se torna menos patético. Recebo olhares de reprovação por conta de meu comportamento demente e causo ainda mais desconforto à meus opressores dizendo-lhes que sou o filho bastardo e infame de Dionísio.


Onomatopéia jazz rola intenso, resolvo delirar a cada acorde e graves grooves que saltam da semi-acústica de meu doce amigo, que no palco entretêm à platéia de maneira discreta mas fora dele fica incontrolável como um jovem em sua primeira ereção.
Permaneço a ignorar algumas pessoas por diversão e por ser uma pessoa terrível. Sim, sigo desprezando à tudo e os grandes atos de estupidez que presencio sob a Lua, minha testemunha de travessuras.
Me divirto com a reação das pessoas que têm a infelicidade de cruzar com meu impiedoso amigo, sábio-maluco, exímio músico e vagabundo por imposição do destino. Provoca à todos, geralmente jovens mulheres, com singular elegância. Em troca recebe ricos olhares ou implacável menosprezo.
Seguimos noite adentro, adentro, adentro e adiante. E com os bolsos bem vazios!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Cocaineshinenovel Blues

na colina, “colina” fria
brilho branco intenso
esposa branca
nesse caso amarelada
bagulho meio chinês de arder as ventas
e o brilho da arma era a sombra da alma
intenso direto e imediato
policiais-bandidos, etc
montes de casinhas parciais
subia à colina de moto ou subia à pé
na mira de um fuzil esperto
loucos e condenados de toda estirpe
24 horas 23... 22... 21...
manicômio perverso alienígena
o ser humano em estado primitivo da coisa toda
filas de carros quase organizadas
luzes baixas nos pequenos botequins
não existem amigos ou inimigos naquela dimensão
enxerga pequenos seres e a abordagem é rápida
nunca presenciou novamente algo tão surreal
no caminho de volta
já sentia nas veias da Moóca
com os olhos brilhantes
de demônio alado
ninguém percebeu naqueles anos tal fascínio
distraídos com toda a sorte da cerveja e vinho
que Baco lhes oferecia e celebrava e dançava
hoje habitam outros seres naquelas colinas
mais amistosos e pacíficos 
é fato

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Mais um trago, por favor


 Photo by Rodrigo Barbosa

Entra numa livraria, lê o máximo que consegue depois ganha as ruas.
“Ei, excêntrico!” - grita algum transeunte.
Adentra um bar, de preferência o mais simples que houver. “Um trago, por favor!”
Observa uma briga - “Droga, os homens estão cada dia mais estúpidos.”
O menos imbecil não quer dar passagem para o outro em seu belo carro esporte.
Em outro ponto da cidade, outros cretinos maltratam, mães, esposas e crianças e, no dia seguinte, comentam o placar do futebol como se nada tivesse ocorrido.
Meninos com suas armas em punho, tão cruéis quanto os adultos. Morrem os que tem algum dinheiro e os que não tem. Pouco importa para quem está do outro lado da arma.
 “Mais um trago, por favor!” - enquanto isso, escreve versinhos chulos, sujos e impregnados de inocência romântica.
A real briga armada!
Mas não com propósitos ou ideais revolucionários. Porra nenhuma!
Entra em outro bar - “Oh bacana, um trago! Bem aqui estou mais seguro que dentro de uma dessas latas metálicas.”- esboça algumas palavras ao comerciante e cidadão de bem.
“Outra dose de veneno para a alma, ok?! Ora, o que irá me matar primeiro, o trago ou um projétil de algum criminoso babaca? Ah, ah!” - Desabafa e sorri desajeitado.
“Maldito Kassab” comenta o dono do bar - “ele diz: os índices de violência estão mais baixos nesse semestre, blá, blá...”
A verdade é que a violência segue gritando e para isso não existe poesia ou metáforas.
“ Prefiro morrer cheio de veneno em minhas veias, ah, ah, ah!” - o dono do estabelecimento odeia alcoólatras, mas quem não os odeia?! É mais digno um cão sarnento!

banquete dos mendigos
todos os dias
pedofilia
mulheres mortas aos montes
verdadeiro massacre
maldito Serra
e seu metrô-cratera
e isento de impostos
um grande traficante sorri atrás das grades
seu trabalho está feito do lado de fora
sem metáfora ou poesia romântica e barata

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Mais um café, por favor

finjo obedecer a ordem, atitude responsável
pequeno esquerdistinha
entre goles e mais goles de café
a paixão russa, quase lhe arrancou a coragem
em tempo se lembrou, que a batalha teria fim
“mais um café, por favor...”
pobre deslumbrada em terras tupiniquins
viveu entre belos museus e bibliotecas
e em filas para comprar um pouco de arroz
até a adolescência num sistema fechado
em São Petersburgo, linda cidade

temperatura a baixo de zero
pelo calor dos trópicos
poucas frutas no café da manhã
por grande variedade de alimentos,
frutas e vegetais
até meu velho amigo Alexander...
“mais café agora sem açúcar, sim?!”
com pulso firme meu desapego
ao falido casamento
discos de vinil, lembrancinhas, muitas fotos...
ficaram para trás
mais para anárquico que do que para comunista
pequeno esquerdistinha


*********************

terça-feira, 4 de maio de 2010

bélico enxofre


Ter acessos de bondade e algo parecido com que chamam de compaixão. Uns momentos de impaciência e outros de maltratar, ferir e blasfemar. Trabalhar e se banquetear. Do ócio, não sobreviver.

Viver e poder e comer e beber e dormir e foder!
E as vezes filosofar ou brincar de gênio, ser artista e achar-se artista, belo e formoso e seguro de si e achar-se seguro de si e ser um completo idiota. Hora em vez, sentir náusea e fazer guerra muitas guerras. Pois, tem coisa mais monótona que viver em paz?! A guerra vem como mantra.

Entender a única coisa semi-digna que resta, a labuta. Horas muitas horas para, só assim, não ter tempo de lembrar-se quem realmente é. Mas logo, acabar com isto também, então, novo remédio para o tédio.
Juntar todo lixo, poluição e enxofre e parir belas obras de arte e poesias e canções.
E tornar à comer tudo de volta. Bélico enxofre.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Ritual

secreta papoula
assentas quente em minhas veias
e o vento batendo nas pétalas
se esconde do pálido sol
junto doutras espécies
vem natural onírica

logo sangrar-te e
o ópio extrair
sentir teu peso
nos braços e o odor
para tão logo apaixonar-me
sem corromper-me
entre rochas te escondes
entre rochas te encontro
o mesmo mar que te banhas
choca-se entalhando as pedras

ritual hermético
revela segredos
tradição ancestral
ao sentir o vento 

e desvendar o falo
símbolo da natureza criadora
aguardar a lua
sentir o céu
permita-me
receber-te
oh sagrado êxtase

E eu lhe disse "Mas tu, quem és?". - "Eu", disse ele, "eu sou Poimandres, o Noús da Soberania absoluta. Eu sei o que queres e estou contigo em todo lugar". E eu disse: "Quero ser instruído sobre os seres, compreender sua natureza, conhecer Deus. Oh! como desejo entender!" Respondeu-me ele por sua vez: "Mantém em teu intelecto tudo o que desejas aprender e eu te instruirei."
I - Poimandres 2, 3
Corpus Hemeticum

domingo, 25 de abril de 2010

Poema Oculto

à margem de erro é grande, de uns dias pra cá anda bem acentuada. doravante, não preciso me preocupar tanto, trata-la a ferro e fogo. a bata direita depois a esquerda, calçar o sapato esquerdo depois o direito. sinais, prodígios e sistemas miraculosos. que posso eu fazer que não alimentar o desejo da soberba e então, apaixonei-me por sua beleza, viola cantante. chora, grita, urra! chega a bailar, danada! lanço mão do juízo, desorganizado, alimento à margem de erro. no que me diz respeito, já vai reinante sobre minha cabeça. bato todos os dias no encosto em minhas costas, custa a abandonar minha companhia, falante, falante, falante. finjo leve me vou e deixo, star...star. todo homem é uma estrela! sigo indiferente, endiabrado como todos as coisas não santas. jardim sujo é São Paulo, meu Éden por imposição. coloco meu arsenal de armas à vista para só então, ser enforcado com louvor, blá, blá! segue fúria de elfos e pequenos demônios e deuses antigos. ideologias, orgias mágickas e métodos não praticáveis à olho nu.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A Night at the Treme-Treme


  Oiginally by stuck at bronze 

Começo de qualquer noite em 1999, correndo para executar as trinta e tantas O.S (ordem de serviço) que eu e meu parceiro derrubaríamos até as 22:00 horas. Na época, eu trabalhava na Eletropaulo Metropolitana pós-privatização, ante das centenas de prestadoras de serviços, e me lembro de estar muito apreensivo não só pela região decadente ou por que, na ocasião, iriamos efetuar uma solicitação de corte, mas foi o singelo comentária do meu comparsa ao estacionar a caminhonete na faixada do famigerado Treme-Treme, que grudou na minha massa cinzenta.

“Olha garoto, o lugar é barra pesada! Aqui mora um pessoal meio esquisito e quando estaciona algum carro de polícia aqui, costuma voar algo como um botijão de gás em cima dele. Mas, fica tranqüilo tá ?!”
“Tá ?”
Nunca tive medo de elevador, apesar daquele ser desprovido de qualquer manutenção a anos e estar bem capengo, na ocasião meu medo era dos sujeitos que subiam conosco. Gritos, urros, janelas se quebrando, varais improvisados e olhares pouco amistosos aos dois alienígenas munidos com jaleco cinza e laranja, botas, luvas pesadas e, o muitas vezes dispensável, capacete. Os quadros elétricos, não menos abandonados e qualquer um tinha acesso. Me surpreende ninguém ter grudado em algum desses enormes distribuidores de energia ao cometer alguma fraude.
No final das contas, deu tudo certo. Executamos o trabalho afirmando aos curiosos que se tratava de um religamento, e saímos em disparada. 
Photo by Renato Rocha

Vizinho ao Palácio das Indústrias, defronte ao Mercado Municipal, o muito bem localizado Edifício São Vito, mais conhecido por Treme-Treme é geralmente lembrado por sua história de edificação largada e tomada pelo vandalismo, mas nos anos 50 foi um projeto arquitetônico de destaque. Hoje com seus 27 andares se encontra desapropriado pela Prefeitura de São Paulo, que anteriormente cogitou a reabilitação do edifício para habitação social e agora estuda a demolição do prédio. No entanto, há dezenas de outras edificações abandonadas na cidade (a Av. Celso Garcia possui uma legião deles). E pouco importa se são desapropriados ou não, estão presos a burocracias e permanecem anos nessa condição em contraste direto com as pessoas que sobrevivem ou “sub-vivem” nas ruas.

Photo by Renato Rocha

O tema é complexo, entretanto é difícil não notar ao caminhar por São Paulo a total indiferença com  tais "patrimônios" que "clamam" por restauração ou no mínimo, certo respaldo por parte dos gestores públicos.
Palmas ao nosso governo ou melhor, uma palma apenas por toda agilidade no planejamento de infra-estrutura (vale lembrar a cratera na construção das novas linhas do metrô) e bunda-molisse singular.


terça-feira, 20 de abril de 2010

Noite Caos

Se em total desilusão
me encontro
E em minha desordem
Livres e confusos pensamentos

Dentro do carcere
minha ruína

Da ingestão de psicotrópicos
a personalidade e o espectro
Voam e celebram

Dos familiares
pouco espero
E de mim...

O caos andante
livres pensamentos
paixões desnecessárias

Forço a imaginação
até chegar em campos abertos

Foram muitos os neurônios
com os anos e as noites
em claro
e do destilado barato
em tentativas, tentativas

Mesmo assim
estou posicionado
para conseguir tudo que ainda desejo
à noite




domingo, 11 de abril de 2010

Semanas de Alienação



obra de Pablo Picasso

Nas duas últimas semanas não consegui escrever nada. Falei com pessoas só do trabalho e neste pouco produzi. Não postei nada, não fiz exercícios, nem meditei. Li pouco, dormi pouco e não vi nenhum filme, nem visitei museus ou sai com os amigos. Acompanhei poucas notícias das tristes tragédias no Rio e da pedofilia na igreja católica e fora dela, notícias que não deixam de chamar minha atenção, entretanto senti a aproximação agradável do frio. Vivi de completa alienação de mim mesmo, cometendo crimes à minha alma deixando-a temporariamente trancafiada em um porão profundo e úmido. Tampouco sinto alguma inspiração e sei que levarei alguns dias pra me refazer de tais descuidos. Assisto neste momento ao noticiaria sobre os garotos desaparecidos de Luziânia em Goiás, foram encontrados mortos e enterrados graças ao ex-presidiário e assassino confesso do crime. Isso me lembra que o lugar de ex-presidiário é no xilindró mesmo, já que nosso sistema carcerário não recupera ninguém e é uma afronta a inteligência normal humana. Aos poucos vou refazendo o que restou das semanas improdutivas pra que não voltem a me perturbar e passem bem longe, quero voltar a ver um bom show e estar entre os amigos sem ter que me desgastar com os venenos anti-alma que vinha tomando. Começo de noite e me delicio com "O Livro de Toth" de Aleister Crowley que acabo de baixar. A companhia de um cão também me faria bem!

domingo, 14 de março de 2010

Sun Ra




Coloco meus ouvidos dentro dela
Observo cada mudança dos acordes
Coltrane passeia
E Sun Ra
Nada óbvio como sempre
Respiro profundo
Pra breve poder e sentir
Respiro Leve Profundo
Profundo
Avisto o céu
Sol, nuvens
Só o Sol vivêncio
Faz com que vida aconteça
Num ônibus político
Respiro profundo
São Paulo
De carros e motos
Respiro profundo

Fuga... ou sede pelo fantástico

Vai embelezar o feio
Vai aliviar a dor
Causar breve êxtase
Fazer brilhar os olhos
Exaltar os nervos
E até a pele enrubrecer
Excitar-lhe as partes
Maravilhas acontecem
Adentra o infinitobelo
Porém finito num determinado espaço
Então sucumbi a dor
Mais conhecida como realidade
Desta vez com sede
De mil purgatórios
O Universo avança com força
E vem cobrar tal deslize