Foto tirada por David Bowie em Berlim, após Bowie ficar admirado com uma pintura chamada Roquairol, de Erich Heckel.
O exílio químico de David Bowie e Iggy Pop em Berlim nos fins dos anos 70 rendera bons frutos. Trouxe o inspirado álbum chamado The Idiot (1977), com título chupado de um dos romances clássicos de Dostoiévski, e estréia solo de Iggy, no mesmo ano em que o punk tomava forma e força.
Apesar da atmosfera densa com a voz de Iggy mais grave e cinematográfica o som não perde a agressividade característica do Iguana. Toda a direção fica por conta de David Bowie que tocou vários instrumentos, compôs e dirigiu os vocais. É um dos melhores trampos de Iggy que, junto aos discos de Bowie da mesma época, influenciariam toda a década seguinte.
No disco não faltam clássicos, “Funtime”, Nigtclubbing”, “China Girl” e a soturna “Mass Production”. “TinnY Girl”, trilha sonora perfeita, quase perfeita, de separações amorosas.
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terça-feira, 22 de março de 2011
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
O período em que os universos da poesia, do rock and roll, da arte e do sexo entravam em colisão
Primeiro disco de Patti Smith, Horses (1975)
Encontrara alívio em Arthur Rimbaud, com quem havia deparado em uma banca de livros do outro lado da rodoviária de Filadélfia quando tinha dezesseis anos. Seu olhar arrogante me encarou na capa de Illuminations. Ele possuia uma inteligência irreverente que me acendera, e tomei-o por um compatriota, um parente, e até um amor secreto. Sem ter os 99 centavos para comprar o livro, surrupiei-o.
Rimbaud tinha as chaves para uma linguagem mística que devorei mesmo sem ainda ser capaz de decifrar. Meu amor não correspondido por ele era tão real para mim quanto qualquer coisa que eu já houvesse experimentado. Na gráfica onde eu trabalhara com um grupo de mulheres duras e analfabetas, fui perseguida por causa dele. Desconfiando que eu fosse comunista por ler um livro em língua estrangeira, elas me ameaçaram no banheiro, incitando-me a denuncia-lo. Ele se tornou meu arcanjo, livrando-me dos horrores mundanos da vida fabril. Suas mãos haviam esculpido um manual do céu e nelas rapidamente me agarrei. Conhecê-lo trouxera insolência aos meus passos e isso não podia ser tirado de mim. Joguei meu exemplar de Illuminations em uma mala xadrez. Nós fugiríamos juntos.
(Patti Smith)
A performer e poeta Patti Smith nasceu em 1946, em Chicago. Seu disco Horses (1975), tido como precursor do punk, foi considerado pela revista Time um dos cem melhores álbuns de todos os tempos. Patti também publicou livros de poesia como Babel e Auguries of Innocence. Em 1973, expôs seus desenhos pela primeira vez, e, em 2008, a Fundação Cartier de Paris apresentou uma grande mostra da artista.
Encontrara alívio em Arthur Rimbaud, com quem havia deparado em uma banca de livros do outro lado da rodoviária de Filadélfia quando tinha dezesseis anos. Seu olhar arrogante me encarou na capa de Illuminations. Ele possuia uma inteligência irreverente que me acendera, e tomei-o por um compatriota, um parente, e até um amor secreto. Sem ter os 99 centavos para comprar o livro, surrupiei-o.
Rimbaud tinha as chaves para uma linguagem mística que devorei mesmo sem ainda ser capaz de decifrar. Meu amor não correspondido por ele era tão real para mim quanto qualquer coisa que eu já houvesse experimentado. Na gráfica onde eu trabalhara com um grupo de mulheres duras e analfabetas, fui perseguida por causa dele. Desconfiando que eu fosse comunista por ler um livro em língua estrangeira, elas me ameaçaram no banheiro, incitando-me a denuncia-lo. Ele se tornou meu arcanjo, livrando-me dos horrores mundanos da vida fabril. Suas mãos haviam esculpido um manual do céu e nelas rapidamente me agarrei. Conhecê-lo trouxera insolência aos meus passos e isso não podia ser tirado de mim. Joguei meu exemplar de Illuminations em uma mala xadrez. Nós fugiríamos juntos.
(Patti Smith)
A performer e poeta Patti Smith nasceu em 1946, em Chicago. Seu disco Horses (1975), tido como precursor do punk, foi considerado pela revista Time um dos cem melhores álbuns de todos os tempos. Patti também publicou livros de poesia como Babel e Auguries of Innocence. Em 1973, expôs seus desenhos pela primeira vez, e, em 2008, a Fundação Cartier de Paris apresentou uma grande mostra da artista.
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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Amorica
Amorica (1994), terceiro disco dos Black Crowes, é um dos melhores e mais originais momentos do blues/rock dos 90's, e, de quebra, ainda traz a formação clássica da banda com o excelente Marc Ford nas guitarras e Eddie Harsch nos teclados.
Curtido em psicodelia, belas melodias, guitarras e percussões afro, Amorica soa como uivo já nas primeiras faixas, 'A Consiracy' e 'High head blues'; clima estradeiro total em 'Wiser Time' e 'Nonfiction'. Seguida de uma bafora sugestiva 'Cursed Diamonds', balada onde se destacam os vocais de Chris Robinson e os sofisticados arranjos de seu irmão Rich Robinson, um dos pontos altos do disco que encerra em grande estilo com a instrumental 'Sunday Night Buttermilk Waltz', country/ blues rock com violão e viola executados pela dupla de guitarristas impecável Rich Robinson e Marc Ford.
da esquerda pra direita;(os irmãos Rich e Chris Robinson e, o guitarrista, Marc Ford gravando os vocais em 93).
A famosa e polêmica capa onde expõem a silhueta de uma modelo de biquíni é CENSURADA no mega mercado, E.U.A, mesmo assim o álbum chega ao Top 10 das paradas americanas. O belíssimo trabalho de arte (capa/ encarte) é assinado por Chris Robinson e Janet Levinson, vem cheio de referências a festas, antigas deusas da Babilônia, papoula e outras plantas, amor e, principalmente, busca na figura feminina uma semi-deusa.
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domingo, 29 de agosto de 2010
The Year Punk Broke
Seria heresia afirmar nos dias de hoje que uma banda de rock simples e sujo, mesmo com boas letras, iria desbancar das paradas artistas como Beyoncé ou Lady Gaga.
No entanto, foi o que aconteceu no começo dos anos 90 quando o, até então pouco conhecido, Nirvana colocou no mercado seu segundo disco Nevermind obrigando que os grandes barões de gravadoras repensassem tudo o que vinham trabalhando nos últimos anos e colocar a seguinte questão: "Como uma banda acostumada a tocar em pequenos nichos, espeluncas e clubes cheirando a mijo, iria destronar o rei do pop do topo das paradas de sucesso (no caso, o disco Dangerous do Michael Jackson) e ser aclamada pelo melhor e pior da imprensa e público?" Nevermind, vendeu algo em torno de 26 milhões de cópias e, mesmo lançado há 19 anos, continua sendo um dos trabalhos mais influentes do cenário musical.
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| Nirvana Nevermind, 1991 |
O ano de 1991 marcou uma retomada de valores na música que estavam esquecidos e ignorados pela mídia fazia um bom tempo. A nova década parecia fadada ao lixo mais comercial e despretensioso de idéias e atitude possível, principalmente no rock, com toda super produção de venda da imagem enfiada goela abaixo. Entretanto, através de um pequeno esquema de divulgação local em Seatle (principalmente pelo selo da Sub Pop) bandas de garagem com sonoridade e agressividade necessárias do punk/ hardcore, ao mesmo tempo com lirismo característico das bandas dos anos 60 e excelentes melodias, começam a chamar à atenção. Eram apenas jovens fazendo música por farra e teimosia, cansados do som proposto na época e trazendo de volta o espírito do it yourself (faça você mesmo) e a sonoridade condizente com a situação. Imediatamente o mercado enxergou o potencial comercial dessa geração e logo fodeu com tudo ao injetar milhões na tentativa de domestica-los em favor da indústria e do mainstream.
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Kurt Cobain on stage in the Reading Festival, 1991 |
1991: The Year Punk Broke, documentário independente dirigido por Dave Markey, acompanha a turnê do Sonic Youth pela Europa com o, Nirvana, Babes in Toyland, Dinosaur Jr e Gumball, além dos Ramones, referência de todos, Courtney Love e alguns integrantes do Mudhoney. O filme marca o período de transição de pequenos públicos para as grandes platéias e festivais como o Reading Festival, ainda mostra imagens raras e exclusivas dos bastidores entre conversas bizarras e entrevistas desconexas à avacalhação com a imprensa que, acostumados com bandas cheias de frescuras e poses, se deparam com músicos sem o deslumbramento com o glamour (antes quase essencial no rock), loucos de ácido, preocupados apenas em tocar e se divertir. Em determinado momento do vídeo, Thurston Moore (guitarrista, vocalista) do Sonic Youth, em uma divagação poética a cerca da estética punk, tenta explicar a uma senhora na mesa de café ao lado por que o “punk declinou”, sem nenhum retorno aparente. Thurston também protagoniza com sua esposa Kim Gordon (guitarrista, baixista, vocalista), Kurt Cobain e Mark Arm, outras cenas hilárias pelas ruas ou no backstage. Os shows são antológicos com maior destaque para o Sonic Youth e o Nirvana que havia recém assinado com uma grande gravadora, por sugestão de Thurston Moore, e já quebravam (literalmente) tudo no palco pra delírio dos espectadores e das outras bandas fazendo um show seminal, no melhor sentido da palavra. Vale lembrar que se trata de uma produção independente mesmo assim é um dos melhores e mais divertidos filmes do gênero.
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domingo, 8 de agosto de 2010
The Runaways
O filme The Runaways, dirigido por Floria Sigismondi, estreou 09 de Abril de 2010 nos Estados Unidos, baseado no livro Neon Angel da vocalista, Cherrie Currie, e por isso mesmo, focaliza quase exclusivamente a sua perspectiva da banda e seus acontecimentos focalizados primordialmente em Cherrie e Joan Jett. Conta com as atuações de Kristen Stewart e Dakota Fanning.
The Runaways foi uma das primeiras bandas formada só por mulheres em Los Angeles, Califórnia em 1975, emplacando poucos hits, deixou um enorme legado. As guitarristas Joan Jett, com seus Blackhearts, e Lita Ford foram bem sucedidas em suas carreiras solo após o final da banda em 1979, Joan com mais influências do punk e Lita Ford mais heavy metal e glam rock.
Joan Jett está com vários lançamentos nesse ano, entre eles a sétima compilação de sua bem sucedida carreira o duplo “Greatest Hits”, lançado pela Blackhearts Records (gravadora independente fundada por Joan Jett e Kenny Laguna). Joan continua bela e detonando com os Blackhearts.
The Runaways desfrutou de breve sucesso, inclusive no Japão, e apenas hoje sua importância é reconhecida. De quebra, influênciaram nos anos 80 e 90 várias bandas feminimas como L7, Girlschool, 7 Year Bitch, Babes in Toyland, entre outras. Na trilha sonora, Suzi Four, MC5, The Stooges, David Bowie, Joan Jett, Sex Pistols e The Runaways.
O “Greatest Hits” de Joan Jett, lançado em vários formatos, o álbum inclusive ecologicamente correto, contêm 21 faixas, oito delas foram regravadas e estão presentes no filme.
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domingo, 11 de julho de 2010
Love/Forever Changes
Arruaceiros, mau trapilhos cheios de idéias e tempo livre. Um deles me lembrou Arthur Lee, mentor da banda californiana Love, após algumas gotas de ácido dentro de uma espécie de um enorme museu munidos de violões e, claro, tentando impressionar uma garota. Em um momento pareceu-me que eles entravam uns dentro dos outros com os instrumentos e tudo e lembrando a capa do terceiro disco e trilha sonora de meu sonho, o espetacular Forever Changes (1967).
Acordei imaginando ter acabado de sonhar com o que seria a concepção da banda Love, apesar que há alguns bons meses não escutava esse álbum. No entanto, foi pra mim um disco marco tendo adquirido há doze anos atrás quando curioso e sem mal ter ouvido falar na banda. Na época, só sabia que o Love tinha sido grande nos 60's, era a banda preferida de Jim Morrison e ajudou os Doors a conseguir um contrato com sua gravadora, a Elektra Records. Detalhe, o anti-hippie Arthur Lee era um dos poucos negros a liderar uma banda de rock na época, era considerado uma espécie de visionário de temperamento difícil e admirado pelos maiores daquela cena, caras como Syd Barrett e Jimi Hendrix.
Arthur Lee morreu em 2006, mas não sem antes reformular a banda e partir para uma turnê tocando o Forever Changes na integra com clássicos como “The Red Telephone” ou “Maybe the Peaple Would be the Times or...”.
Tudo parece se encaixar no disco, jazz, música caribenha e clássica, lindos arranjos de cordas e metais balanceando o peso com guitarras fuzz e a bela voz de Arthur Lee. O que se ouve é um trabalho bem à frente de sua época, basta escutar as outras grandes bandas da época como o Who, Kink's, Stones ou Doors.
Uma boa trip de ácido ou alucinação de heroína, não importa, o disco ocupa o 40th lugar na lista dos 500 álbuns da Rolling Stones de todos os tempos o que também não significa muito já que a banda nunca chegou ao mainstream e eu tampouco tinha essa informação quando escutei.
Não me lembro de nenhum outro sonho com trilha sonora.
Arthur Lee solo, mais peso e blues, Vindicator 1972
Discografia
- Álbuns de estúdio
1966: Love /1967: Da Capo /1967: Forever Changes /1969: Four Sail /1969: Out Here /1970: False Start
1975: Reel to Real - Ao vivo1980: Love Live 1982: Studio / Live
2003: The Forever Changes Concert
- Coletâneas
1995: Love Story 1966-1972
2003: The Best of Love
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domingo, 9 de maio de 2010
STONETEMPLEPILOTS
STONETEMPLEPILOTS
Tiny Music... Songs from the Vatican Gift Shop
me lembro do impacto que este disco causou em minha mente de 15 anos aspirante a rebelde. meu jovem amigo, Tomazette ganhou de aniversário aquele ano de 96, de jaquetas de couro e jeans com aberturas no joelho, aquela altura fora de moda, por isso, não deixavam que entrássemos no colégio, pura curtição. infelizmente ele faleceu há poucos anos. beatles, stones, zeppelin, sabbath, grunge, punk, dead kennedys, ramones, skate, tombo atrás de tombo, nada de álcool ou drogas, também não demorou muito pra rolar. com as garotas nenhuma popularidade. não havia nada que gostávamos na MTV, (nos dias de hoje idem) rock n' roll de verdade era uma raridade que apreciávamos com os discos de vinil que começamos a colecionar. brilhante! este álbum exala atitude rock n' roll sem frescuras, coisa rara hoje. também nessa época peguei umas poucas aulas de guitarra que me levou a conhecer o blues. a guitarra também era um meio pra chamar atenção das garotas. mais tarde aprendi que, dependendo o que ou como tocasse, também poderia afugenta-las. como outros álbuns do Stone Temple Pilots, esse vem recheado de deliciosas cancões que, por sinal, ainda escuto em dias bons ou ruins e claro, várias histórias durante as gravações, a bateria, por exemplo, foi gravada em um jardim em algumas faixas. it's only rock n' roll but i like.
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domingo, 25 de abril de 2010
A Love Supreme - John Coltrane
A Love Supreme, o gongo de Elvin Jones abre o disco como o sol que brilha e cora a face, rasga o sul do céu bem alto, alto, alto. Jimmy Garrison chega marcando o tempo, arquitetando os acordes no baixo, brisa meu sangue. Não resta mais nada pra formar a muralha sonora quando o piano de McCoy Tyner argumenta a estrutura de Acknowledgement, o primeiro tema dos quatro que completam o álbum. Eis que surge John Coltrane, com seu sax tenor livre, livre e surreal, cortando impiedosamente o tempo e espaço entre sopros, saudação a tudo que reluz. Remete ao mesmo tempo a meditação e a violência dos anos 60.
Me estico soberano no pequeno sofá com a sensação de vivenciar uma experiência espiritual e única.
E de fato foi! Seguindo como elixir de muitas manhãs.
E de fato foi! Seguindo como elixir de muitas manhãs.
A Love Supreme é mais do que um disco de quatro temas; é sua homenagem a Deus, e segundo o próprio Coltrane, a única vez em que conseguiu imaginar toda a música em sua cabeça e saber exatamente o que queria. Se algum disco chegou perto de ser chamado de "música sagrada" é este. Aliás, Coltrane era considerado quase um santo por fãs e colegas. O fato é, quando escutei pela primeira vez este disco, conhecia vagamente o nome de Coltrane sem imaginar que ele influenciou gerações de músicos que passeiam do folk ao rap. Coltrane ainda trouxe para o planeta Terra álbuns como Giantsteps, Impressions, participou da obra-prima de Miles Davis Kind of Blue, além de revolucionar a música trazendo o Free Jazz a partir do álbum Ascencion, só pra citar uns poucos.
Fascinado,além de conseguir versões ao vivo do álbum, adquiri A Love Supreme - Criação do Álbum Clássico de John Coltrane, de Asheley Kahn, pouco depois de seu lançamento, livro que revela detalhes da criação.
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segunda-feira, 12 de abril de 2010
Electric Ladyland - The Jimi Hendrix Experience
Era longe dos palcos e das multidões que acometiam aos shows aguardando algum tipo de pirotecnia que James Marshall Hendrix dava uma vazão ainda maior ao seu impulso criativo: entre as quatro paredes de um estúdio.
Em seu álbum de estréia ("Are You Experienced?") temos o "Experience" (Mitch Mitchell na bateria e Noel Redding no baixo) transpondo para o vinil a energia em estado bruto que aflorava em suas apresentações ao vivo, e já neste disco nota-se a disposição de Hendrix em experimentar todos recursos de estúdio possíveis na época, aliado à verdadeira proeza realizada por Eddie Kramer, engenheiro de som que acompanharia Hendrix pelo resto de sua carreira, que conseguiu registrar toda crueza da banda em parcos quatro canais. A seguir veio o "Axis: Bold As Love", no qual a musicalidade do power-trio vem de forma um pouco mais polida e as letras mais líricas, ao mesmo tempo em que expande ainda mais a experimentação sonora contida no disco anterior.
Contudo no "Electric Ladyland" Hendrix foi muito mais fundo, pois além de não sofrer a pressão por resultados imediatos tal qual nos primeiros álbuns, ainda por cima assumiu total controle da produção e direção dos trabalhos em estúdio. Soma-se a isso toda efervescência experimental/sensorial que rolava na época, e que Jimi, absorvia como uma esponja, expandindo-as ainda mais, em parte graças ao uso de drogas, principalmente alucinógenas, que ajudavam a "abrir os canais de percepção".
O Experience já se encontrava em franco processo de desintegração, pois Hendrix e Redding já vinham divergindo a algum tempo, e nas sessões de gravação as coisas pioraram ainda mais, pois pela primeira vez contavam com diversos músicos convidados, tais como Steve Winwood e Jack Casady. Na realidade o clima nas gravações era um tanto quanto anárquico, pois freqüentemente o pessoal emendava longas jams que começavam no estúdio e terminavam em algum clube local.
Mais ecléctico e experimental, incluindo uma longa seção de blues ("Voodoo Child"), a "jazzística" "Rainy Day, Dream Away"/"Still Raining, Still Dreaming" e aquela que é provavelmente a versão mais conhecida da música de Bob Dylan "All Along the Watchtower".
Entretanto, Hendrix passava por uma fase extremamente detalhista, fazendo com que vários takes fossem gravados até a exaustão, e passando noites trancafiado no estúdio ao lado de Eddie Kramer no processo de mixagem.
Na época Hendrix sugeriu uma capa no qual constava uma foto do Experience (feita pela Linda Estman - mais tarde Sra.McCartney), porém no lançamento inglês da época a gravadora optou por outra foto no qual aparecem 19 garotas nuas -embora contra a vontade de Jimi foi com essa capa que esse álbum ficou marcado. O título do álbum também batizou o estúdio que Hendrix construiu em Nova Iorque - e praticamente não chegou a usar.Este álbum é visto como o auge da maestria de Hendrix como guitarrista, e é frequentemente citado como um dos maiores álbuns de rock de todos os tempos. Não foi somente o último álbum do The Jimi Hendrix Experience, mas também o último álbum de estúdio a ser profissionalmente produzido sob sua supervisão e considerado um dos mais importantes de qualquer época. Após Electric Ladyland, Hendrix passou os dois últimos anos de sua vida tentando organizar uma nova banda e gravando uma grande quantidade de músicas. Outra curiosidade desse período é sua relação com as forças ocultas, mas isso é material para outro post.
Track List:
... And The Gods Make Love
Have You Ever Been (To Electric Ladyland)
Crosstown Traffic
Voodoo Chile
Little Miss Strange
Long Hot Summer Night
Come On (Let The Good Times Roll)
Gypsy Eyes
Burning Of The Midnight Lamp
Rainy Day, Dream Away
1983... (A Merman I Should Turn To Be)
Moon, Turn The Tides... Gently, Gently Away
Still Raining, Still Dreaming
House Burning Down
All Along The Watchtower
Voodoo Child (Slight Return)
... And The Gods Make Love
Have You Ever Been (To Electric Ladyland)
Crosstown Traffic
Voodoo Chile
Little Miss Strange
Long Hot Summer Night
Come On (Let The Good Times Roll)
Gypsy Eyes
Burning Of The Midnight Lamp
Rainy Day, Dream Away
1983... (A Merman I Should Turn To Be)
Moon, Turn The Tides... Gently, Gently Away
Still Raining, Still Dreaming
House Burning Down
All Along The Watchtower
Voodoo Child (Slight Return)
Jimi Hendrix: Vocais, guitarra
Noel Redding: baixo, vocais
Mitch Mitchell: bateria
Noel Redding: baixo, vocais
Mitch Mitchell: bateria
músicos convidados:
Stevie Winwood (órgão)
Mike Finnigan (órgão)
Jack Casady (baixo)
Al Kooper (piano)
Freddie Smith (sax)
Larry Faucette (congas)
Buddy Miles (bateria)
Chris Wood (flauta)
Stevie Winwood (órgão)
Mike Finnigan (órgão)
Jack Casady (baixo)
Al Kooper (piano)
Freddie Smith (sax)
Larry Faucette (congas)
Buddy Miles (bateria)
Chris Wood (flauta)
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domingo, 14 de março de 2010
Fun House - The Stooges
Os Stooges, banda original da industrial Detroit como o MC5, Funkadelic e outros influentes bandas, estréiam com álbum auto-intitulado e de produção de John Cale (Velvet Underground) em 1969. Este trazia o som característico dos anos 60, porém mais pesado, primitivo e garageiro. Mas foi com o injustiçado Fun House em 1970, nascido da visão apocalíptica de Iggy Pop, o sujeito mais insano que já havia subido num palco, e os irmãos Asheton que a banda leva sua sonoridade ao limite. O álbum tenta captar a sonoridade das apresentações e performances viscerais da banda.
Os Stooges eram uma ameaça não só para os caretas, mas também para os membros da contra-cultura e os hippies da costa Oeste. Aquela visão sonora particular, definitivamente não agradava nos idos de 1970. Pouco tempo depois, eles estavam literalmente na merda: sem grana, sem teto, odiados por todos na indústria fonográfica e viciados.
Os Stooges eram uma ameaça não só para os caretas, mas também para os membros da contra-cultura e os hippies da costa Oeste. Aquela visão sonora particular, definitivamente não agradava nos idos de 1970. Pouco tempo depois, eles estavam literalmente na merda: sem grana, sem teto, odiados por todos na indústria fonográfica e viciados.
Lançado em agosto de 1970, Fun House vendeu pouco, mas o reconhecimento por completo só começaria a aparecer em 1977 quando o álbum foi usado como cartilha pelo movimento punk britânico e hoje é um dos discos mais cultuado do rock. Reza a lenda que, na época, o álbum podia ser encontrado no balaio de um dolár nas lojas de discos e conveniências, bem como o disco seguinte.
Iggy tinha o hábito de provocar a platéia que respondia lançando garrafas. Desta forma Pop se deliciava rolando nos cacos sob o palco
Free-jazz, groove, ódio, urros, niilismo, sangue jorrando e rock 'n' roll. Delírio, surreal, atemporal. Isso é Stooges, isso é Fun house!
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domingo, 7 de março de 2010
Niilismo e Jesus Pessoal
O Depeche Mode é uma das mais bem sucedidas bandas inglesas que surgiu na década de 80. Violetor é um dos seus discos mais significativos e sinistros com elementos líricos de protesto anti-religioso.
Personal Jesus é uma ode ao niilismo e uma declaração de que não existe nenhum salvador ou deus que se importe com você. O único que ouve suas prece é você mesmo e o único que sempre vai se importar com sua dor é você. Assim Depeche Mode faz eco aos gritos de Ragnar Redbeard : “Aqui e agora é o nosso tormento! Aqui e agora é o nosso momento de alegria! Aqui e agora é a nossa oportunidade! Escolha então este dia, esta hora, pois nenhum salvador viveu! Diga para seu próprio coração: Eu sou meu próprio Salvador".
Personal Jesus
| Reach out and touch faith Your own personal jesus Someone to hear your prayers Someone who cares Your own personal jesus Someone to hear your prayers Someone who´s there Feeling unknown And you´re all alone Flesh and bone By the telephone Lift up the receiver I´ll make you a believer Take second best Put me to the test Things on your chest You need to confess I will deliver You know i´m a forgiver Reach out and touch faith Reach out and touch faith Your own personal jesus Someone to hear your prayers Someone who cares Your own personal jesus Someone to hear your prayers Someone who´s there... | Tradução de Personal Jesus (Jesus Pessoal) Dave Gahan, Martin Gore Estenda a mão e toque a fé O seu próprio Jesus pessoal Alguém que ouça suas preces Alguém que se importe O seu próprio Jesus pessoal Alguém que ouça suas preces Alguém presente Sentindo-se desconhecido E vocês está totalmente só Carne e osso ao lado do telefone Levante o fone, farei de você um crente Aceite o segundo melhor, ponha-me à prova Coisas em seu peito, você precisa confessar Eu salvarei, você sabe que posso perdoar Estenda a mão e toque a fé O seu próprio Jesus pessoal (refrão) Eu salvarei, você sabe que posso perdoar Estenda a mão e toque a fé Seu próprio Jesus pessoal Estenda a mão e toque a fé Estenda a mão e toque a fé Estenda a mão e toque a fé Estenda a mão e toque a fé Estenda a mão, estenda a mão e toque a fé |
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