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terça-feira, 22 de março de 2011

O Idiota

Foto tirada por David Bowie em Berlim, após Bowie ficar admirado com uma pintura chamada Roquairol, de Erich Heckel.

O exílio químico de David Bowie e Iggy Pop em Berlim nos fins dos anos 70 rendera bons frutos. Trouxe o inspirado álbum chamado The Idiot (1977), com título chupado de um dos romances clássicos de Dostoiévski, e estréia solo de Iggy, no mesmo ano em que o punk tomava forma e força.
Apesar da atmosfera densa com a voz de Iggy mais grave e cinematográfica o som não perde a agressividade característica do Iguana. Toda a direção fica por conta de David Bowie que tocou vários instrumentos, compôs e dirigiu os vocais. É um dos melhores trampos de Iggy que, junto aos discos de Bowie da mesma época, influenciariam toda a década seguinte.
No disco não faltam clássicos, “Funtime”, Nigtclubbing”, “China Girl” e a soturna “Mass Production”. “TinnY Girl”, trilha sonora perfeita, quase perfeita, de separações amorosas.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O período em que os universos da poesia, do rock and roll, da arte e do sexo entravam em colisão

Primeiro disco de Patti Smith, Horses (1975)

Encontrara alívio em Arthur Rimbaud, com quem havia deparado em uma banca de livros do outro lado da rodoviária de Filadélfia quando tinha dezesseis anos. Seu olhar arrogante me encarou na capa de Illuminations. Ele possuia uma inteligência irreverente que me acendera, e tomei-o por um compatriota, um parente, e até um amor secreto. Sem ter os 99 centavos para comprar o livro, surrupiei-o.
Rimbaud tinha as chaves para uma linguagem mística que devorei mesmo sem ainda ser capaz de decifrar. Meu amor não correspondido por ele era tão real para mim quanto qualquer coisa que eu já houvesse experimentado. Na gráfica onde eu trabalhara com um grupo de mulheres duras e analfabetas, fui perseguida por causa dele. Desconfiando que eu fosse comunista por ler um livro em língua estrangeira, elas me ameaçaram no banheiro, incitando-me a denuncia-lo. Ele se tornou meu arcanjo, livrando-me dos horrores mundanos da vida fabril. Suas mãos haviam esculpido um manual do céu e nelas rapidamente me agarrei. Conhecê-lo trouxera insolência aos meus passos e isso não podia ser tirado de mim. Joguei meu exemplar de Illuminations em uma mala xadrez. Nós fugiríamos juntos.
(Patti Smith)

A performer e poeta Patti Smith nasceu em 1946, em Chicago. Seu disco Horses (1975), tido como precursor do punk, foi considerado pela revista Time um dos cem melhores álbuns de todos os tempos. Patti também publicou livros de poesia como Babel e Auguries of Innocence. Em 1973, expôs seus desenhos pela primeira vez, e, em 2008, a Fundação Cartier de Paris apresentou uma grande mostra da artista.

domingo, 29 de agosto de 2010

The Year Punk Broke


Seria heresia afirmar nos dias de hoje que uma banda de rock simples e sujo, mesmo com boas letras, iria desbancar das paradas artistas como Beyoncé ou Lady Gaga. 
No entanto, foi o que aconteceu no começo dos anos 90 quando o, até então pouco conhecido, Nirvana colocou no mercado seu segundo disco Nevermind obrigando que os grandes barões de gravadoras repensassem tudo o que vinham trabalhando nos últimos anos e colocar a seguinte questão: "Como uma banda acostumada a tocar em pequenos nichos, espeluncas e clubes cheirando a mijo, iria destronar o rei do pop do topo das paradas de sucesso (no caso, o disco Dangerous do Michael Jackson) e ser aclamada pelo melhor e pior da imprensa e público?" Nevermind, vendeu algo em torno de 26 milhões de cópias e, mesmo lançado há 19 anos, continua sendo um dos trabalhos mais influentes do cenário musical. 

Nirvana Nevermind, 1991
O ano de 1991 marcou uma retomada de valores na música que estavam esquecidos e ignorados pela mídia fazia um bom tempo. A nova década parecia fadada ao lixo mais comercial e despretensioso de idéias e atitude possível, principalmente no rock, com toda super produção de venda da imagem enfiada goela abaixo. Entretanto, através de um pequeno esquema de divulgação local em Seatle (principalmente pelo selo da Sub Pop) bandas de garagem com sonoridade e agressividade necessárias do punk/ hardcore, ao mesmo tempo com lirismo característico das bandas dos anos 60 e excelentes melodias, começam a chamar à atenção. Eram apenas jovens fazendo música por farra e teimosia, cansados do som proposto na época e trazendo de volta o espírito do it yourself (faça você mesmo) e a sonoridade condizente com a situação. Imediatamente o mercado enxergou o potencial comercial dessa geração e logo fodeu com tudo ao injetar milhões na tentativa de domestica-los em favor da indústria e do mainstream.

 Kurt Cobain on stage in the Reading Festival, 1991
1991: The Year Punk Broke, documentário independente dirigido por Dave Markey, acompanha a turnê do Sonic Youth pela Europa com o, Nirvana, Babes in Toyland, Dinosaur Jr e Gumball, além dos Ramones, referência de todos, Courtney Love e alguns integrantes do Mudhoney. O filme marca o período de transição de pequenos públicos para as grandes platéias e festivais como o Reading Festival, ainda mostra imagens raras e exclusivas dos bastidores entre conversas bizarras e entrevistas desconexas à avacalhação com a imprensa que, acostumados com bandas cheias de frescuras e poses, se deparam com músicos sem o deslumbramento com o glamour (antes quase essencial no rock), loucos de ácido, preocupados apenas em tocar e se divertir. Em determinado momento do vídeo, Thurston Moore (guitarrista, vocalista) do Sonic Youth, em uma divagação poética a cerca da estética punk, tenta explicar a uma senhora na mesa de café ao lado por que o “punk declinou”, sem nenhum retorno aparente. Thurston também protagoniza com sua esposa Kim Gordon (guitarrista, baixista, vocalista), Kurt Cobain e Mark Arm, outras cenas hilárias pelas ruas ou no backstage. Os shows são antológicos com maior destaque para o Sonic Youth e o Nirvana que havia recém assinado com uma grande gravadora, por sugestão de Thurston Moore, e já quebravam (literalmente) tudo no palco pra delírio dos espectadores e das outras bandas fazendo um show seminal, no melhor sentido da palavra. Vale lembrar que se trata de uma produção independente mesmo assim é um dos melhores e mais divertidos filmes do gênero.


domingo, 8 de agosto de 2010

The Runaways


O filme The Runaways, dirigido por Floria Sigismondi, estreou 09 de Abril de 2010 nos Estados Unidos, baseado no livro Neon Angel da vocalista, Cherrie Currie, e por isso mesmo, focaliza quase exclusivamente a sua perspectiva da banda e seus acontecimentos focalizados primordialmente em Cherrie e Joan Jett. Conta com as atuações de Kristen Stewart e Dakota Fanning.
The Runaways foi uma das primeiras bandas formada só por mulheres em Los Angeles, Califórnia em 1975, emplacando poucos hits, deixou um enorme legado. As guitarristas Joan Jett, com seus Blackhearts, e Lita Ford foram bem sucedidas em suas carreiras solo após o final da banda em 1979, Joan com mais influências do punk e Lita Ford mais heavy metal e glam rock. 
Joan Jett está com vários lançamentos nesse ano, entre eles a sétima compilação de sua bem sucedida carreira o duplo “Greatest Hits”, lançado pela Blackhearts Records (gravadora independente fundada por Joan Jett e Kenny Laguna). Joan continua bela e detonando com os Blackhearts.
The Runaways desfrutou de breve sucesso, inclusive no Japão, e apenas hoje sua importância é reconhecida. De quebra, influênciaram nos anos 80 e 90 várias bandas feminimas como L7, Girlschool, 7 Year Bitch, Babes in Toyland, entre outras. Na trilha sonora, Suzi Four, MC5, The Stooges, David Bowie, Joan Jett, Sex Pistols e The Runaways.


O “Greatest Hits” de Joan Jett, lançado em vários formatos, o álbum inclusive ecologicamente correto, contêm 21 faixas, oito delas foram regravadas e estão presentes no filme.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Lemmy is Rock'n'Roll and Rock'n'Roll is Lemmy


"Lemmy" the Movie, 49% motherfucker. 51% son of a bitch

“Somos o Motörhead e tocamos Rock'nRoll”, anuncia Lemmy Kilmister empunhando um Rickenbacker com o volume no talo à alguns milhares de fãs prestes a saborear um espetáculo sonoro como poucos nos dias atuais. Após quatro décadas o frontman do Motörhead, finalmente tem registrada sua imensa importância na historia da música. Aos 63 anos, ele continua vivendo o estilo de vida rock'n'roll e conquistando seguidores com ¼ de sua idade.
Realizado por Greg Olliver e Wes Orshoski, "Lemmy" The Movie, documentário que reúne depoimentos de familiares e gente do metal, do punk, do rap e até da música eletrônica na tentativa de explicar o fascínio por trás do homem de atitude rocker e responsável por várias pérolas fura tímpanos da história do rock ainda em atividade, gravando e saindo em turnês com o Motörhead que está prestes a completar XXXV anos na estrada sobrevivendo a todo tipo de modismos durante esses anos. O filme resgata tretas antigas com bom humor e acompanha três anos da vida do líder do Motörhead na estrada - além de jam sessions com Dave Grohl, Metallica e sua banda de blues The Head Cat.
"Lemmy" The Movie, traz ainda imagens raras do baixista no The Rockin'Vickers, sua primeira banda em meados dos anos 60, além de shows com o grupo de space rock Hawkind, do qual foi chutado nos anos 1970 por ser "muito acelerado" - graças ao speed - para o espírito mais psicodélico da banda. Lemmy, no documentário, minimiza e tira sarro do episódio: "Eu estava transando com a namorada do vocalista" e “Estava tomando as drogas erradas”. A propósito, vai a receita da bebida perfeita pelo próprio: “Um terço de Jack Daniels, dois terços de Coca, sobre cinco cubos de gelo. Não se preocupe em agita-la, ela irá agitar você! E quando puxar para cima, dobrar e bebê-la de cabeça pra baixo, o que irá curar seu soluço!”
O documentário ainda não tem data de estréia no Brasil mais dá pra ter uma idéia pelo trailer:

 

quarta-feira, 28 de julho de 2010

G.G. Allin Manifesto



“Se você acredita no verdadeiro rock'n'roll underground, então é hora de fazer alguma coisa. A hora é agora de derrubar a situação e declarar guerra às gravadoras, estações de rádio, publicações, bares e qualquer um que promova a chamada "cena" que existe atualmente. Precisamos destruir tudo e tomar de volta o que está nas mãos de empresários idiotas e conformistas. Mas a ação deve começar agora e sangue poderá ser derramado. (...) Quando nasci em 1956, o rock'n'roll estava começando a existir. Por quê? Porque eu o criei. Eu criei Elvis. Eu fiz tudo acontecer. Mesmo antes de nascer eu já estava comandando. Mas através dos anos as pessoas deixaram a coisa desandar. É por isso que estou pronto para tomar conta de tudo novamente. Ninguém mais teria culhões. Todos me decepcionaram. O dinheiro e o comercialismo fizeram todos se venderem. Até Iggy me decepcionou. Os Sex Pistols me decepcionaram. Sid me decepcionou quando se apaixonou (é por isso que estão mortos). E hoje temos os Ramones elogiando bandas como o Guns n' Roses, que representam tudo que devíamos destruir. Mas agora estamos em 1991. Esta é a década para a derradeira mutilação sangrenta. Hora de tirar o rock'n'roll das mãos das massas e devolver às pessoas que não aceitariam conforto e conformidade a nenhum custo. Então eu cometerei suicídio em pleno palco e o sangue do rock'n'roll se tornará o veneno do universo para sempre. Olhe ao redor e veja o que está acontecendo. Gravadoras invertebradas beijando o cu do sistema, pressionadas pela grana da mídia e pelos políticos. (...) Devemos sabotar as gravadoras não comprando seus produtos. Um boicote. Se quiser um disco, roube-o. Assim não ficarão com o seu dinheiro. Nós precisamos parar de alimentá-los. Seu apoio deve agora convergir para mim - G.G. Allin, o comandante líder e terrorista do rock'n'roll. Por quê você acha que estou na prisão? Porque eles sabem que eu sou e temem minha verdade. Nossa sociedade quer parar minha missão. Eles querem é fazer uma lavagem cerebral em você e mantê-lo ligado na MTV, em seus estagnados e seguros mundos. É necessário destruir o rock'n'roll. Eu sou o salvador. É por isso que sou considerado uma ameaça à sociedade.”

Trecho do “G.G. Allin Manifesto”, uma espécie de zine que Aliin escreveu durante uma de suas temporadas na prisão. Apesar de soar pretensioso, levou sua vida e o rock'n'roll ao extremo dentro e fora do palco, foi tudo o que os punk's gostariam de ser mas não tiveram coragem. Nos últimos anos de sua carreira as apresentações eram cada vez mais caóticas e violentas, travava confrontos com o público e gostava de se auto-mutilar, as performances terminavam com Allin inconsciente levado para o hospital ou para a prisão. Gravou muito e com inúmeras bandas entre o final dos anos 70 até sua morte em 1993, apesar da precariedade das gravações e da produção, sua banda mais conhecida foram os “The Murder Junkies”, com a qual tocou o terror, literalmente, pela América. G.G. Allin estava a frente de seu tempo, queria trazer o perigo novamente ao rock'n'roll, foi o maior exemplo da verdadeira atitude punk.

Mais sobre G.G. Allin no site:





quarta-feira, 14 de julho de 2010

Rock'N'Roll

"O rock nasceu de um grito, o primeiro grito do escravo negro ao pisar em sua nova terra, a América.”
Roberto Muggiati, jornalista e escritor.
Autor do primeiro livro sobre rock'n' roll que lembro ter lido. Rock - O grito e o mito (também publicado na Espanha, México e Argentina), O que é jazz; Blues: da lama à fama, entre outros.


Antes...


 Depois



sexta-feira, 25 de junho de 2010

William Burroughs míssil literário

Uma das mentes mais radicais do século XX

Como escritor, pintor ou escultor, o velho junkie combinou modernismo e surrealismo, imagens e sonhos.
William S. Burroughs nasceu em 1914, em St. Louis, Estados Unidos. Na década de 40 mudou-se para Nova York, onde iniciou sua carreira literária se graduando em Havard e estudou psicanálise. Entre suas experiências, conheceu hospícios, trabalhou como detetive particular, exterminador de insetos e roedores e barman, em fábricas e escritórios, antes disso, foi exonerado do exército e diagnosticado como esquizofrênico. Em 1959, publicou o romance Naked Lunch (Almoço Nu). Seguiu-se Soft Machine (61), The Ticket That Exploded (62), Nova Express (64), The Wild Boys (71) e Exterminator! (73), entre outros, cheios de realismo exasperado, mistura suas experiências e radicalidade joyceana. Seus temas transitam pela burocracia estatal, guerras, tirania psiquiátricas, homossexualismo, drogas, em um universo dominado por leis emanadas da loucura monopolística e tecnologia do mundo pós-industrial. Burroughs disse que sua obra “se volta contra aqueles que se empenham , por estupidez ou vontade, em explodir o planeta e torna-lo inabitável”. Seus personagens negam tudo o que representa o American Way of Life.


Cartaz do filme Naked lunch (1991), inspirado no romance homônimo

Após uma temporada na Europa, Burroughs voltou para Nova York no início da década de 70, onde passou a lecionar e conviver com intelectuais e artistas como Andy Warhol e Susan Sontag.
Participou de inúmeros álbuns musicais, recitando poemas ou outros textos, incluindo trabalhos de Frank Zappa e John Cage. Na década de 80, era visto como um gigante da contracultura. No final da vida, mudou-se para Lawrence (Kansas), onde morreu, em agosto de 1997.
Nos anos 80 e 70 a Editora Brasiliense publicou por aqui, Junky (1953), em que explora suas experiências com heroína, o radical ''Almoço Nu'' e mais tarde, ''O gato por dentro'' e ''Cartas do Yage'' pela LPM Editores. Apesar de ser associado aos escritores da beat generation, Burroughs introduziu inovações estilísticas criando uma literatura experimental alcançada através de fluxos de consciência modificando a literatura no século XX.

William S. Burroughs: olhar de chumbo , premiado da American Academy and Institute of Arts and Letters
 
"Não nos damos conta de até que ponto a história é ficção. O passado em grande parte é invenção dos vivos. E a história é um montão de coisas fabricadas. Não há fatos de verdade."  
William Burroughs, 1978. 

 Fontes: Almoço Nu, Junky, American Academy and Institute of Arts And Letters


sexta-feira, 18 de junho de 2010

Mate-me, por favor



 Iggy Pop e Debbie Harry na versão gringa do livro, Please Kill Me

Mate-me, por favor: a história sem censura do punk é o relato e narração do nascimento do que hoje se chama punk nos anos 70 e da Blanc Generation. Desde a Factory de Andy Warhol até o Max's Kansas City, famosos clubes, nos anos 60 e 70, chegando ao Reino Unido nos anos 80, os autores, Legs Mcneil e Gillian McCain, constroem o livro a partir de centenas de entrevistas com alguns dos personagens originais, incluindo Iggy Pop, Patti Smith, Dee Dee e Joey Ramone, Debbie Harry, Nico, Lou Reed, Wayne Kramer, Danny Fields, Richard Hell e Malcolm MacLaren, que forjou os Sex Pistols na Inglaterra, groupies, empresários, ex-mulheres e namoradas, fotógrafos e reporters alternativos penetram em camarins, bares esfumaçados e apartamentos para trazer parte do estrondo obsceno que foi o punk e sua morte prematura. O que começou com uma pequena cena artística em Nova York, em lugares como o CBGB'S, e se tornou um momento revolucionário na música.
Fica devendo ao dar maior enfase as tretas e manias de bastidores deixando em segundo plano o excelente rock'n'roll produzido. Também ignora a forte e similar cena musical que estava nascendo nos subúrbios de São Francisco e Los Angeles com bandas como os The Germs e The Dead Kennedys.
Entretanto, o livro traz várias curiosidades e histórias escabrosas e cabeludas daquele universo pré new wave. No Brasil Mate-me, por favor foi publicado em 1997 e reeditado em 2005 pela LPM Editores.

O youtube apresenta esse vídeo como Iggy and the Stooges, mas na realidade essa já era sua formação solo, época dos ótimos Lust for Life e Idiot, que inclusive contou com David Bowie em alguns shows de 1977.

 

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Dennis Hopper (1936 - 2010)

Dennis Hopper em Easy Rider (1969)

Não poderia deixar de prestar uma modesta homenagem à Dennis Lee Hopper (ator/diretor) que faleceu no sábado, 29 de maio aos 74 anos.
Lembro vagamente da primeira vez que assisti ao filme Easy Rider (1969), que no Brasil leva o nome de Sem Destino, provavelmente em alguma madrugada no corujão ou algo do tipo quando, ainda garoto, não fazia idéia quem eram aqueles dois sujeitos insanos e barbarizando todas na American way of Life (sonho americano) no fim dos anos 60, época hedonista. Alguns anos mais tarde, conheci outros bons filmes com sua espetacular atuação como o Apocalipse Now (1979), clássico de Francis Ford Coppola.

 Apocalipse Now (1979) de Francis Ford Coppola

Sem Destino, em que foi co-autor do roteiro, diretor e ator, é repleto de inovações como a narrativa acelerada e caótica. De baixo orçamento, levou ao cinema o consumo de maconha, tráfico de cocaína e popularizou motociclistas, sem as babaquices hippies da época. Tornou-se um fenômeno estético e cultural gigantesco, o filme abriu as portas à “nova Hollywood” - a geração de cineastas que, encabeçada por Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Peter Bogdanovich e William Friedkin, tomaria de assalto a “Meca do Cinema” nos anos seguintes, isto é, filmes de novos cineastas produzidos por eles mesmos e com grande liberdade artística, geralmente a baixos custos.
Hopper foi indicado duas vezes ao Oscar, uma delas pelo roteiro de Easy Rider e por sua atuação em Hoosers (1986). Triste e brochante o cara ter sido homenageado com uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood já debilitado pelo câncer. De qualquer forma, graças a caras como Hopper o cinema feito hoje é menos patético e sem graça.


domingo, 14 de março de 2010

Fun House - The Stooges


Os Stooges, banda original da industrial Detroit como o MC5, Funkadelic e outros influentes bandas, estréiam com álbum auto-intitulado e de produção de John Cale (Velvet Underground) em 1969. Este trazia o som característico dos anos 60, porém mais pesado, primitivo e garageiro. Mas foi com o injustiçado Fun House em 1970,  nascido da visão apocalíptica de Iggy Pop, o sujeito mais insano que já havia subido num palco, e os irmãos Asheton que a banda leva sua sonoridade ao limite. O álbum tenta captar a sonoridade das apresentações e performances viscerais  da banda.
  
Os Stooges eram uma ameaça não só para os caretas, mas também para os membros da contra-cultura e os hippies da costa Oeste. Aquela visão sonora particular, definitivamente não agradava nos idos de 1970. Pouco tempo depois, eles estavam literalmente na merda: sem grana, sem teto, odiados por todos na indústria fonográfica e viciados.

 Lançado em agosto de 1970, Fun House vendeu pouco, mas o reconhecimento por completo só começaria a aparecer em 1977 quando o álbum foi usado como cartilha pelo movimento punk britânico e hoje é um dos discos mais cultuado do rock. Reza a lenda que, na época, o álbum podia ser encontrado no balaio de um dolár nas lojas de discos e conveniências, bem como o disco seguinte.




 Iggy tinha o hábito de provocar a platéia que respondia lançando garrafas. Desta forma Pop se deliciava rolando nos cacos sob o palco







Free-jazz, groove, ódio, urros, niilismo, sangue jorrando e rock 'n' roll. Delírio, surreal, atemporal. Isso é Stooges, isso é Fun house!

domingo, 7 de março de 2010

MC5, White Panthers and Sonic Revolution


O partido dos Panteras Brancas, insprado pelos Panters Negras, emergiu do Wokshop de Artistas de Detroit, em 1968, mostrando mais uma vez que foram ex-trabalhadores culturais que lideraram a radicalização da juventude americana com o recém-desenvolvido estilo freak de agitação política. O principal objetivo dos Panteras Brancas era levar essa agitação para as escolas, e abanda de rock´n´roll do movimento - o MC5 - era a sua arma mais poderosa para atingir esse objetivo. No entanto, em 1970, John Sinclair ( líder dos Panteras Brancas) acusou o grupo de ter se vendido. Nessa época, Sinclair estava na cadeia servindo uma sentença de dez anos por ter passado dois baseados de maconha para um detetive de narcóticos à paisana. Outro Pantera Branca, Pun Plamondon, entrou para a lista dos mais procurados do FBI por ter supostamente colocado uma bomba em um prédio da CIA em Ann Arbor.


O estilo freak de agitação, quando utilizado por aqueles dispostos a aguentar a violenta reação que caía sobre eles, era particularmente efetivo, por que representava alternativas tanto culturais como políticas à dominação capitalista. O sistema, ameaçado pela pela influência dessa vanguarda violenta, reagiu enfatizando na mídia o aspecto "paz e amor" da cultura hippie. No entanto, os militantes não desapareceram poque a mídia escolheu representar a forma errônia de o movimento: na verdade, eles voltaram na forma de guerrilha urbana.
(Trecho de Assalto à Cultura de Stewart Home da editora Conrad).

Boa parte dessa geração foi destruída pela droga de fácil acesso que era distribuída pelos arredores de Detroit. Solução encontrada pelo trágico governo Nixon para assim aniquilar os artistas e agitadores culturais. Pois, com heroína nas veias não há revolução.