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terça-feira, 22 de março de 2011

O Idiota

Foto tirada por David Bowie em Berlim, após Bowie ficar admirado com uma pintura chamada Roquairol, de Erich Heckel.

O exílio químico de David Bowie e Iggy Pop em Berlim nos fins dos anos 70 rendera bons frutos. Trouxe o inspirado álbum chamado The Idiot (1977), com título chupado de um dos romances clássicos de Dostoiévski, e estréia solo de Iggy, no mesmo ano em que o punk tomava forma e força.
Apesar da atmosfera densa com a voz de Iggy mais grave e cinematográfica o som não perde a agressividade característica do Iguana. Toda a direção fica por conta de David Bowie que tocou vários instrumentos, compôs e dirigiu os vocais. É um dos melhores trampos de Iggy que, junto aos discos de Bowie da mesma época, influenciariam toda a década seguinte.
No disco não faltam clássicos, “Funtime”, Nigtclubbing”, “China Girl” e a soturna “Mass Production”. “TinnY Girl”, trilha sonora perfeita, quase perfeita, de separações amorosas.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O período em que os universos da poesia, do rock and roll, da arte e do sexo entravam em colisão

Primeiro disco de Patti Smith, Horses (1975)

Encontrara alívio em Arthur Rimbaud, com quem havia deparado em uma banca de livros do outro lado da rodoviária de Filadélfia quando tinha dezesseis anos. Seu olhar arrogante me encarou na capa de Illuminations. Ele possuia uma inteligência irreverente que me acendera, e tomei-o por um compatriota, um parente, e até um amor secreto. Sem ter os 99 centavos para comprar o livro, surrupiei-o.
Rimbaud tinha as chaves para uma linguagem mística que devorei mesmo sem ainda ser capaz de decifrar. Meu amor não correspondido por ele era tão real para mim quanto qualquer coisa que eu já houvesse experimentado. Na gráfica onde eu trabalhara com um grupo de mulheres duras e analfabetas, fui perseguida por causa dele. Desconfiando que eu fosse comunista por ler um livro em língua estrangeira, elas me ameaçaram no banheiro, incitando-me a denuncia-lo. Ele se tornou meu arcanjo, livrando-me dos horrores mundanos da vida fabril. Suas mãos haviam esculpido um manual do céu e nelas rapidamente me agarrei. Conhecê-lo trouxera insolência aos meus passos e isso não podia ser tirado de mim. Joguei meu exemplar de Illuminations em uma mala xadrez. Nós fugiríamos juntos.
(Patti Smith)

A performer e poeta Patti Smith nasceu em 1946, em Chicago. Seu disco Horses (1975), tido como precursor do punk, foi considerado pela revista Time um dos cem melhores álbuns de todos os tempos. Patti também publicou livros de poesia como Babel e Auguries of Innocence. Em 1973, expôs seus desenhos pela primeira vez, e, em 2008, a Fundação Cartier de Paris apresentou uma grande mostra da artista.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Amorica


Amorica (1994), terceiro disco dos Black Crowes, é um dos melhores e mais originais momentos do blues/rock dos 90's, e, de quebra, ainda traz a formação clássica da banda com o excelente Marc Ford nas guitarras e Eddie Harsch nos teclados.
Curtido em psicodelia, belas melodias, guitarras e percussões afro, Amorica soa como uivo já nas primeiras faixas, 'A Consiracy' e 'High head blues'; clima estradeiro total em 'Wiser Time' e 'Nonfiction'. Seguida de uma bafora sugestiva 'Cursed Diamonds', balada onde se destacam os vocais de Chris Robinson e os sofisticados arranjos de seu irmão Rich Robinson, um dos pontos altos do disco que encerra em grande estilo com a instrumental 'Sunday Night Buttermilk Waltz', country/ blues rock com violão e viola executados pela dupla de guitarristas impecável Rich Robinson e Marc Ford.

da esquerda pra direita;(os irmãos Rich e Chris Robinson e, o guitarrista, Marc Ford gravando os vocais em 93).

A famosa e polêmica capa onde expõem a silhueta de uma modelo de biquíni é CENSURADA no mega mercado, E.U.A, mesmo assim o álbum chega ao Top 10 das paradas americanas. O belíssimo trabalho de arte (capa/ encarte) é assinado por Chris Robinson e Janet Levinson, vem cheio de referências a festas, antigas deusas da Babilônia, papoula e outras plantas, amor e, principalmente, busca na figura feminina uma semi-deusa.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Stevie Ray Vaughn

Stevie Ray Vaughn, falecido precocemente aos 35 anos

No último dia 27 de agosto (segunda-feira), foi a data de 20 anos da morte de Stevie Ray Vaughn, em decorrência de um acidente de helicóptero após participar de um show em Wisconsin, Estados Unidos, com outras lendas do blues: Eric Clapton, Buddy Guy, Robert Cray e o seu irmão mais velho, Jimmy Vaughan.  
Stevie gostava de guitarras espessas e cordas pesadas 0.13mm. Tocava meio tom abaixo, (Eb) mi bemol e ocupa seu lugar entre os melhores e mais influentes em seu ofício.
Gravou o aclamado disco de estréia Texas Flood, em 1983, que o tirou do anonimato e é o disco de blues mais popular dos últimos vinte anos. Cultivou parcerias, biritas e muitos shows e bons discos como In Step, de 1988, que lhe rendeu um Grammy.
As primeiras gravações do texano que ouvi eram de sessões acústicas, só viola e voz, blues chapado, pesado e selvagem!

domingo, 29 de agosto de 2010

The Year Punk Broke


Seria heresia afirmar nos dias de hoje que uma banda de rock simples e sujo, mesmo com boas letras, iria desbancar das paradas artistas como Beyoncé ou Lady Gaga. 
No entanto, foi o que aconteceu no começo dos anos 90 quando o, até então pouco conhecido, Nirvana colocou no mercado seu segundo disco Nevermind obrigando que os grandes barões de gravadoras repensassem tudo o que vinham trabalhando nos últimos anos e colocar a seguinte questão: "Como uma banda acostumada a tocar em pequenos nichos, espeluncas e clubes cheirando a mijo, iria destronar o rei do pop do topo das paradas de sucesso (no caso, o disco Dangerous do Michael Jackson) e ser aclamada pelo melhor e pior da imprensa e público?" Nevermind, vendeu algo em torno de 26 milhões de cópias e, mesmo lançado há 19 anos, continua sendo um dos trabalhos mais influentes do cenário musical. 

Nirvana Nevermind, 1991
O ano de 1991 marcou uma retomada de valores na música que estavam esquecidos e ignorados pela mídia fazia um bom tempo. A nova década parecia fadada ao lixo mais comercial e despretensioso de idéias e atitude possível, principalmente no rock, com toda super produção de venda da imagem enfiada goela abaixo. Entretanto, através de um pequeno esquema de divulgação local em Seatle (principalmente pelo selo da Sub Pop) bandas de garagem com sonoridade e agressividade necessárias do punk/ hardcore, ao mesmo tempo com lirismo característico das bandas dos anos 60 e excelentes melodias, começam a chamar à atenção. Eram apenas jovens fazendo música por farra e teimosia, cansados do som proposto na época e trazendo de volta o espírito do it yourself (faça você mesmo) e a sonoridade condizente com a situação. Imediatamente o mercado enxergou o potencial comercial dessa geração e logo fodeu com tudo ao injetar milhões na tentativa de domestica-los em favor da indústria e do mainstream.

 Kurt Cobain on stage in the Reading Festival, 1991
1991: The Year Punk Broke, documentário independente dirigido por Dave Markey, acompanha a turnê do Sonic Youth pela Europa com o, Nirvana, Babes in Toyland, Dinosaur Jr e Gumball, além dos Ramones, referência de todos, Courtney Love e alguns integrantes do Mudhoney. O filme marca o período de transição de pequenos públicos para as grandes platéias e festivais como o Reading Festival, ainda mostra imagens raras e exclusivas dos bastidores entre conversas bizarras e entrevistas desconexas à avacalhação com a imprensa que, acostumados com bandas cheias de frescuras e poses, se deparam com músicos sem o deslumbramento com o glamour (antes quase essencial no rock), loucos de ácido, preocupados apenas em tocar e se divertir. Em determinado momento do vídeo, Thurston Moore (guitarrista, vocalista) do Sonic Youth, em uma divagação poética a cerca da estética punk, tenta explicar a uma senhora na mesa de café ao lado por que o “punk declinou”, sem nenhum retorno aparente. Thurston também protagoniza com sua esposa Kim Gordon (guitarrista, baixista, vocalista), Kurt Cobain e Mark Arm, outras cenas hilárias pelas ruas ou no backstage. Os shows são antológicos com maior destaque para o Sonic Youth e o Nirvana que havia recém assinado com uma grande gravadora, por sugestão de Thurston Moore, e já quebravam (literalmente) tudo no palco pra delírio dos espectadores e das outras bandas fazendo um show seminal, no melhor sentido da palavra. Vale lembrar que se trata de uma produção independente mesmo assim é um dos melhores e mais divertidos filmes do gênero.


domingo, 8 de agosto de 2010

The Runaways


O filme The Runaways, dirigido por Floria Sigismondi, estreou 09 de Abril de 2010 nos Estados Unidos, baseado no livro Neon Angel da vocalista, Cherrie Currie, e por isso mesmo, focaliza quase exclusivamente a sua perspectiva da banda e seus acontecimentos focalizados primordialmente em Cherrie e Joan Jett. Conta com as atuações de Kristen Stewart e Dakota Fanning.
The Runaways foi uma das primeiras bandas formada só por mulheres em Los Angeles, Califórnia em 1975, emplacando poucos hits, deixou um enorme legado. As guitarristas Joan Jett, com seus Blackhearts, e Lita Ford foram bem sucedidas em suas carreiras solo após o final da banda em 1979, Joan com mais influências do punk e Lita Ford mais heavy metal e glam rock. 
Joan Jett está com vários lançamentos nesse ano, entre eles a sétima compilação de sua bem sucedida carreira o duplo “Greatest Hits”, lançado pela Blackhearts Records (gravadora independente fundada por Joan Jett e Kenny Laguna). Joan continua bela e detonando com os Blackhearts.
The Runaways desfrutou de breve sucesso, inclusive no Japão, e apenas hoje sua importância é reconhecida. De quebra, influênciaram nos anos 80 e 90 várias bandas feminimas como L7, Girlschool, 7 Year Bitch, Babes in Toyland, entre outras. Na trilha sonora, Suzi Four, MC5, The Stooges, David Bowie, Joan Jett, Sex Pistols e The Runaways.


O “Greatest Hits” de Joan Jett, lançado em vários formatos, o álbum inclusive ecologicamente correto, contêm 21 faixas, oito delas foram regravadas e estão presentes no filme.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Rory Gallagher and Jerry Lee Lewis at the Roxy

O carismático e brilhante, Rory Gallagher

Cerca de um ano após o lançamento de Jerry Lee Lewis, London Sessions, que contava com a participação de Rory Gallagher, foi agendado um show do pianista mais rocker do mundo no famoso clube Roxy, em Los Angeles.
Astros da música e do cinema foram convidados especialmente para a ocasião, assim como produtores, empresários e as groupies mais quentes da redondeza.
O show ia muito bem até que John Lennon chega no local e começa a chamar mais atenção que da platéia que do que o próprio Jerry Lee Lewis. De cabelos curtos e calmamente sentado no balcão do Roxy, Lennon parecia não se intimidar com o tumulto que começa a se formar ao seu redor.
Todo mundo comentava algo e as atenções estavam viradas para Lennon. Jerry furioso, começa a tocar uma versão selvagem de “Jerry Lee Rag”, porém nada do que acontecia naquele palco parecia desviar a atenção do pessoal, até que Jerry manda a banda parar de tocar e começa a falar o microfone um monte de besteira sobre os Beatles e o quanto as musicas deles eram uma merda. Mete o pau também nos Stones, brandando que ninguém fazia rock nesse mundo como ele próprio.
Lennon adorou a atitude de Jerry, subiu no balcão e ficou gritando em direção ao palco: “pode crer, os Beatles eram uma bosta mesmo cara!”.
 Todo mundo começou a dar risada da situação e Jerry não entendeu nada, pensando que Lennon estava mandando-o tomar naquele lugar...
Jerry arrastou o piano pelo palco e o destruiu-o em pedaços...
O pianista sempre andava armado e pela sua reação parecia que ele puxaria sua arma a qualquer instante e começaria a disparar na direção de Lennon! O público começa a deixar o local e o clima começa a ficar cada vez mais tenso até o show ser interrompido e Jerry Lee ser levado à toda força para os camarins.

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 Rory Gallagher e Jerry Lee durante as gravações de "The London Sessions"

Rory Gallagher, que era um convidado especial de Jerry, achou uma boa ir até o backstage acalmar o amigo, afinal de contas, o relacionamento entre os dois no estúdio tinha sido muito bom. Donal, irmão e empresário de Rory, tentou impedi-lo falando que Jerry iria, no mínimo, espancá-lo. Só deixou Rory seguir em frente com a condição de que ele e o segurança pessoal dos irmãos Gallagher, Tom O' Driscoll (também presente na ocasião) fossem juntos.
Jerry estava sentado sozinho e de cabeça baixa, no camarim, completamente vazio. Obviamente até o mais durão membro da equipe do astro estava se escondendo de medo naquele instante. Rory se aproximou e sentou ao lado de Jerry que estava ainda vermelho de ódio. Antes que qualquer palavra fosse dita, a porta se abre e John Lennon entra no camarim!
Um silêncio mortal se instalou e sem que ninguém esperasse o gigante guarda-costas de Gallagher se atira de joelhos na frente de Lennon e começa a chorar!
O sujeito beijou a mão de Lennon e falou: “Eu esperei mais de vinte anos para conseguir um autógrafo do rei do Rock'n'Roll”
Agora sim o juízo final estava por vir. Já não bastava Lennon ter roubado as atenções durante todo o show, no camarim de Jerry a cena se repetia.
Jerry foi logo buscando algum objeto para atirar contra o roqueiro inglês. Chegou a conferir em sua bota de cano alto se sua arma estava por ali. Lennon sentindo que o clima ia realmente esquentar, rapidamente assinou o pedaço de papel para o segurança. Rasgou um pedacinho do mesmo papel, roubou a caneta do fã e se dirigiu para Jerry Lee.
O beatle repetiu passo a passo a idolatria que tinha acabado de protagonizar: ajoelhou-se, beijando a mão de Jerry e falou:”Eu esperei mais de vinte anos para conseguir um autógrafo do verdadeiro rei do Rock'n'Roll”.
Jerry se deleitou com a atitude inesperada de Lennon. Assinou o papel e começaram a conversar como se nada tivesse acontecido...

Lemmy is Rock'n'Roll and Rock'n'Roll is Lemmy


"Lemmy" the Movie, 49% motherfucker. 51% son of a bitch

“Somos o Motörhead e tocamos Rock'nRoll”, anuncia Lemmy Kilmister empunhando um Rickenbacker com o volume no talo à alguns milhares de fãs prestes a saborear um espetáculo sonoro como poucos nos dias atuais. Após quatro décadas o frontman do Motörhead, finalmente tem registrada sua imensa importância na historia da música. Aos 63 anos, ele continua vivendo o estilo de vida rock'n'roll e conquistando seguidores com ¼ de sua idade.
Realizado por Greg Olliver e Wes Orshoski, "Lemmy" The Movie, documentário que reúne depoimentos de familiares e gente do metal, do punk, do rap e até da música eletrônica na tentativa de explicar o fascínio por trás do homem de atitude rocker e responsável por várias pérolas fura tímpanos da história do rock ainda em atividade, gravando e saindo em turnês com o Motörhead que está prestes a completar XXXV anos na estrada sobrevivendo a todo tipo de modismos durante esses anos. O filme resgata tretas antigas com bom humor e acompanha três anos da vida do líder do Motörhead na estrada - além de jam sessions com Dave Grohl, Metallica e sua banda de blues The Head Cat.
"Lemmy" The Movie, traz ainda imagens raras do baixista no The Rockin'Vickers, sua primeira banda em meados dos anos 60, além de shows com o grupo de space rock Hawkind, do qual foi chutado nos anos 1970 por ser "muito acelerado" - graças ao speed - para o espírito mais psicodélico da banda. Lemmy, no documentário, minimiza e tira sarro do episódio: "Eu estava transando com a namorada do vocalista" e “Estava tomando as drogas erradas”. A propósito, vai a receita da bebida perfeita pelo próprio: “Um terço de Jack Daniels, dois terços de Coca, sobre cinco cubos de gelo. Não se preocupe em agita-la, ela irá agitar você! E quando puxar para cima, dobrar e bebê-la de cabeça pra baixo, o que irá curar seu soluço!”
O documentário ainda não tem data de estréia no Brasil mais dá pra ter uma idéia pelo trailer:

 

quarta-feira, 28 de julho de 2010

G.G. Allin Manifesto



“Se você acredita no verdadeiro rock'n'roll underground, então é hora de fazer alguma coisa. A hora é agora de derrubar a situação e declarar guerra às gravadoras, estações de rádio, publicações, bares e qualquer um que promova a chamada "cena" que existe atualmente. Precisamos destruir tudo e tomar de volta o que está nas mãos de empresários idiotas e conformistas. Mas a ação deve começar agora e sangue poderá ser derramado. (...) Quando nasci em 1956, o rock'n'roll estava começando a existir. Por quê? Porque eu o criei. Eu criei Elvis. Eu fiz tudo acontecer. Mesmo antes de nascer eu já estava comandando. Mas através dos anos as pessoas deixaram a coisa desandar. É por isso que estou pronto para tomar conta de tudo novamente. Ninguém mais teria culhões. Todos me decepcionaram. O dinheiro e o comercialismo fizeram todos se venderem. Até Iggy me decepcionou. Os Sex Pistols me decepcionaram. Sid me decepcionou quando se apaixonou (é por isso que estão mortos). E hoje temos os Ramones elogiando bandas como o Guns n' Roses, que representam tudo que devíamos destruir. Mas agora estamos em 1991. Esta é a década para a derradeira mutilação sangrenta. Hora de tirar o rock'n'roll das mãos das massas e devolver às pessoas que não aceitariam conforto e conformidade a nenhum custo. Então eu cometerei suicídio em pleno palco e o sangue do rock'n'roll se tornará o veneno do universo para sempre. Olhe ao redor e veja o que está acontecendo. Gravadoras invertebradas beijando o cu do sistema, pressionadas pela grana da mídia e pelos políticos. (...) Devemos sabotar as gravadoras não comprando seus produtos. Um boicote. Se quiser um disco, roube-o. Assim não ficarão com o seu dinheiro. Nós precisamos parar de alimentá-los. Seu apoio deve agora convergir para mim - G.G. Allin, o comandante líder e terrorista do rock'n'roll. Por quê você acha que estou na prisão? Porque eles sabem que eu sou e temem minha verdade. Nossa sociedade quer parar minha missão. Eles querem é fazer uma lavagem cerebral em você e mantê-lo ligado na MTV, em seus estagnados e seguros mundos. É necessário destruir o rock'n'roll. Eu sou o salvador. É por isso que sou considerado uma ameaça à sociedade.”

Trecho do “G.G. Allin Manifesto”, uma espécie de zine que Aliin escreveu durante uma de suas temporadas na prisão. Apesar de soar pretensioso, levou sua vida e o rock'n'roll ao extremo dentro e fora do palco, foi tudo o que os punk's gostariam de ser mas não tiveram coragem. Nos últimos anos de sua carreira as apresentações eram cada vez mais caóticas e violentas, travava confrontos com o público e gostava de se auto-mutilar, as performances terminavam com Allin inconsciente levado para o hospital ou para a prisão. Gravou muito e com inúmeras bandas entre o final dos anos 70 até sua morte em 1993, apesar da precariedade das gravações e da produção, sua banda mais conhecida foram os “The Murder Junkies”, com a qual tocou o terror, literalmente, pela América. G.G. Allin estava a frente de seu tempo, queria trazer o perigo novamente ao rock'n'roll, foi o maior exemplo da verdadeira atitude punk.

Mais sobre G.G. Allin no site:





quarta-feira, 14 de julho de 2010

Rock'N'Roll

"O rock nasceu de um grito, o primeiro grito do escravo negro ao pisar em sua nova terra, a América.”
Roberto Muggiati, jornalista e escritor.
Autor do primeiro livro sobre rock'n' roll que lembro ter lido. Rock - O grito e o mito (também publicado na Espanha, México e Argentina), O que é jazz; Blues: da lama à fama, entre outros.


Antes...


 Depois



domingo, 11 de julho de 2010

Love/Forever Changes


Arruaceiros, mau trapilhos cheios de idéias e tempo livre. Um deles me lembrou Arthur Lee, mentor da banda californiana Love, após algumas gotas de ácido dentro de uma espécie de um enorme museu munidos de violões e, claro, tentando impressionar uma garota. Em um momento pareceu-me que eles entravam uns dentro dos outros com os instrumentos e tudo e lembrando a capa do terceiro disco e trilha sonora de meu sonho, o espetacular Forever Changes (1967).
Acordei imaginando ter acabado de sonhar com o que seria a concepção da banda Love, apesar que há alguns bons meses não escutava esse álbum. No entanto, foi pra mim um disco marco tendo adquirido há doze anos atrás quando curioso e sem mal ter ouvido falar na banda. Na época, só sabia que o Love tinha sido grande nos 60's, era a banda preferida de Jim Morrison e ajudou os Doors a conseguir um contrato com sua gravadora, a Elektra Records. Detalhe, o anti-hippie Arthur Lee era um dos poucos negros a liderar uma banda de rock na época, era considerado uma espécie de visionário de temperamento difícil e admirado pelos maiores daquela cena, caras como Syd Barrett e Jimi Hendrix.
Arthur Lee morreu em 2006, mas não sem antes reformular a banda e partir para uma turnê tocando o Forever Changes na integra com clássicos como “The Red Telephone” ou “Maybe the Peaple Would be the Times or...”.


Tudo parece se encaixar no disco, jazz, música caribenha e clássica, lindos arranjos de cordas e metais balanceando o peso com guitarras fuzz e a bela voz de Arthur Lee. O que se ouve é um trabalho bem à frente de sua época, basta escutar as outras grandes bandas da época como o Who, Kink's, Stones ou Doors.
Uma boa trip de ácido ou alucinação de heroína, não importa, o disco ocupa o 40th lugar na lista dos 500 álbuns da Rolling Stones de todos os tempos o que também não significa muito já que a banda nunca chegou ao mainstream e eu tampouco tinha essa informação quando escutei.
Não me lembro de nenhum outro sonho com trilha sonora.

  Arthur Lee solo, mais peso e blues, Vindicator 1972

Discografia

- Álbuns de estúdio
1966: Love /1967: Da Capo /1967: Forever Changes /1969: Four Sail  /1969: Out Here /1970: False Start
1975: Reel to Real - Ao vivo1980: Love Live 1982: Studio / Live
2003: The Forever Changes Concert

- Coletâneas
1995: Love Story 1966-1972
2003: The Best of Love

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Amsterdam

 
Coffee Shop Highway in Amsterdam

Ainda não fui à Amsterdã fumar um bom cânhamo e
visitar o Red Light District e o Mercado das Flores.
Ouvi sobre um hotel, Bob´s Youth Hostel
de preço bom, escadas íngremes e o lobby é um porão.
Enquanto isso, minha doce viola não possui mais o mesmo gosto e cheiro
nem textura, perdeu seu veneno.
Com certo esforço lembro de algumas canções,
“Tattoed Lady” é uma delas e "Money ( That's what a want)" a outra. Mas antes esfrego um convés
cheio de limo metálico esperando pelo inverno nuclear e o céu pálido.
Perco minha última caneta chinesa e meu isqueiro...
chinês enquanto morremos feito baratas e outra pragas,
um cão vem até mim, comovido...
percebo que todos os supermercados são iguais
até a tinta da parede.
Na vitrola rola o velho Muddy Waters.



sábado, 19 de junho de 2010

Poema à Phil Lynott


Fomos ao museu local ver um pouco de arte abstrata,
mas curtíamos mesmo era o impressionismo,
caras como Monet, Van Gogh e Gauguin.  
Tinha saudades de Dublin e de sua antiga banda.
Fumamos alguns cigarros e o frio congelava nossos pés dentro das botas, 
mas estávamos seguros dentro dos casacos. 
Entramos no metrô rumo aos bares 
do outro lado da cidade que ele insistiu conhecer. 
Pub's – dizia animado. 
No caminho me contou coisas fantásticas sobre sua terra natal, 
as gangues nas ruas, as garotas, 
os grandes escritores, compositores e batalhas medievais.
O bar nos aguardava e tudo o mais que havia dentro dele. 
A banda local fazia o seu trabalho com um blues pesado e dinâmico.
Phil foi convidado ao palco para o próximo número. 
Não havia ninguém como ele no palco com tamanha presença e 
sua linda voz de negro irlandês, 
no entanto, fora dele 
sua vida podia ser um pouco tumultuada e confusa.
Escrevia belas poesias e as transformava em canções brilhantes. 
Alguns diziam que sua mãe era brasileira, 
mas ele nunca me contou.
No bar pude comprovar o sucesso com as garotas e... 
pelos deuses, como trabalhava em seu uísque, 
eu estava sempre na vodca.
O velho Phil, 
apesar de ter transitado pelo  folk e outros estilos e de sua serenidade, 
tenho covicção de que foi um dos mais dedicados Rocker's de sua geração.


 Philip Parris Lynott (1949 - 1986) poeta, músico e compositor 
  
Check it out, check his face
Look at his eyes, they’re so sly
I wonder why he cries from the inside
I wonder why he’s a renegade

Oh please, I’m on my begged bended knees
Oh please, please heed my call
He’s just a boy that has lost his way
He’s just a boy, that’s all
 
Phill Lynott, Snowy White


sexta-feira, 18 de junho de 2010

Mate-me, por favor



 Iggy Pop e Debbie Harry na versão gringa do livro, Please Kill Me

Mate-me, por favor: a história sem censura do punk é o relato e narração do nascimento do que hoje se chama punk nos anos 70 e da Blanc Generation. Desde a Factory de Andy Warhol até o Max's Kansas City, famosos clubes, nos anos 60 e 70, chegando ao Reino Unido nos anos 80, os autores, Legs Mcneil e Gillian McCain, constroem o livro a partir de centenas de entrevistas com alguns dos personagens originais, incluindo Iggy Pop, Patti Smith, Dee Dee e Joey Ramone, Debbie Harry, Nico, Lou Reed, Wayne Kramer, Danny Fields, Richard Hell e Malcolm MacLaren, que forjou os Sex Pistols na Inglaterra, groupies, empresários, ex-mulheres e namoradas, fotógrafos e reporters alternativos penetram em camarins, bares esfumaçados e apartamentos para trazer parte do estrondo obsceno que foi o punk e sua morte prematura. O que começou com uma pequena cena artística em Nova York, em lugares como o CBGB'S, e se tornou um momento revolucionário na música.
Fica devendo ao dar maior enfase as tretas e manias de bastidores deixando em segundo plano o excelente rock'n'roll produzido. Também ignora a forte e similar cena musical que estava nascendo nos subúrbios de São Francisco e Los Angeles com bandas como os The Germs e The Dead Kennedys.
Entretanto, o livro traz várias curiosidades e histórias escabrosas e cabeludas daquele universo pré new wave. No Brasil Mate-me, por favor foi publicado em 1997 e reeditado em 2005 pela LPM Editores.

O youtube apresenta esse vídeo como Iggy and the Stooges, mas na realidade essa já era sua formação solo, época dos ótimos Lust for Life e Idiot, que inclusive contou com David Bowie em alguns shows de 1977.

 

terça-feira, 8 de junho de 2010

Miss LSD

Mudanças cruciais ocorreram na música a partir de adventos que ocorreram nos sixties, tanto nos redutos intelectuais como em circuitos mais underground, ao redor do globo. O LSD (Lysergic Acid Diethylamide) começou a circular no meio da década de 60 trazendo evolução à música e modificando sua estrutura. Tais trasformações elevou o rock que passa a ser visto como arte. Junto desse aditivo surgem novas técnicas de gravação nos estúdios e discos que até hoje influenciam as pessoas.

Algumas canções embebidas em ácido:

The Crystal Ship The Doors (1966)
O público ficou atordoado com o grau de expansão sensorial alcançado pelos Doors em “The Crystal Ship”. Além de trazer uma bela melodia, o tema foi baseado na mitologia celta do famoso Book of the Dun Cow. O próprio nome da banda foi inpirado no livro “As Portas da Percepção” de Aldous Huxley, em que narra experiências alucinógenas.

I Feel Free Cream (1966)

Eric Clapton nos tempos do Cream

Bastava conferir a piração de improvisos do power trio no palco. Em estúdio a paixão pelo LSD ficou evidente em alguns temas, especialmente no segundo disco, Disraeli Gears. A composição de Jack Bruce, “We're Going Wrong”, é um exemplo. Porém foi com uma música do primeiro disco (Fresh Cream) que o trio inglês chegou as paradas sentindo a liberdade de trazer ao público todos os seus sonhos ácidos, visões e pesadelos da psicodelia.

Good Vibrations The Beach Boys(1966)

 

O perfeccionista Brian Wilson durante as gravações de Pet Sounds

Os arranjos perfeitos de Mr. Brian Wilson no disco Pet Sounds modificou toda a música pop. 
Nesse trabalho, ele teceu camadas elaboradas de harmonias vocais, juntamente com efeitos de som e instrumentos não-convencionais, como sinos de bicicleta, órgãos, cravos, flautas e teremim.
A mente genial e perfeccionista de Brian Wilson e um pouco de ácido, trouxe em forma de sinfonia e doces “viagens” um dos álbuns mais importantes de toda a história da música e colocou de Beatles à Rolling Stones literalmente de quatro.

Tomorrow Never Knows The Beatles (1966)
Lennon queria que sua voz soasse como a de Dalai Lama pregando do alto do Himalaia. Encarregou o produtor George Martin para a missão, que passou a voz de Lennon por uma caixa enquanto ele recitava palavras do 'Livro Tibetano dos Mortos'. Totalmente à frente de seu tempo com guitarras gravadas de trás para a frente nos tapes e loops, som comprimido de bateria e teclados em momentos estratégicos. O álbum Revolver ainda traz 'Doctor Robert' o dentista responsável por colocar ácido na xícara de café dos Beatles.

Astronomy Domine Pink Floyd (1967)
Pink Floyd: The Piper at the Gates of Dawn com o mentor Syd Barrett

'Astronomy Domine' abre a obra prima do Floyd, primeiro e derradeiro disco de Syd Barret gravado com a banda que fundou, The Piper at the Gates of Dawn pode ser considerado uma das peças mais anti-comerciais da história. Frases sem muito sentido, progressões melódicas absurdas, solos dissonantes e o clima constante de angústia. O álbum de estréia do Floyd assustou os engravatados da Capitol, gravadora norte-americana. Quatro minutos e um pouca do que passava na mente de Syd que depois viria a pagar o preço pelo consumo deliberado de LSD. Syd Barret foi talvez uma das maiores vítimas do ácido dos anos 60.

Purple Haze The Jimi Hendrix Experience (1967)

Estréia em disco do The Jimi Hendrix Experience

Em 1967, dava pra perceber que as coisas estavam mudando, 'Purple Haze' ('névoa púrpura') era o nome de um bom ácido, mesmo com a letra explicita, a música foi vinculada em várias rádios modificando padrões e chocando o mais conservadores. Segundo Pete Townshend do Who, um dos guitarristas mais reverenciado da época, ligou para seu amigo Eric Clapton após ouvir pela primeira vez o The Experience, lhe dizendo que 'ficariam sem seus empregos' tamanho o impacto que o jovem Jimi causou.

2000 Lights Years From Home The Rolling Stones (1967)

The Rolling Stones em 1967

Em 1966, os Stones já traziam um som experimental em Aftermath, mas o ápice veio em seguida com o álbum Their Satanic Majesties Request. Obra repleta de inovações, orquestrações, batidas, efeitos de eco e overdubs. “2000 Lights Years From Home” foi composta por Jagger na prisão em Brixton, por posse de drogas. Destaque para o telepático mellotron tocado por Brian Jones.

White Rabbit The Jefferson Airplane (1967)

Jefferson Airplane

O The Jefferson Airplane era uma das bandas queridinhas dos hippies de São Francisco ou 'Frisco', para os mais íntimos, nos fins de 1967 e tinha uma angelical vocalista à frente da banda, cantando versos como: “Uma pílula faz você ficar maior/ Outra faz você ficar menor/ E todas as pílulas que sua mãe te oferece/ Não fazem nada disso...” e ainda “Feed Your Head” (alimente seu cérebro!). “White Rabbit” é exemplo de como musicar uma viagem. Grace Slick tomava LSD e ficava ouvindo por horas a fio o álbum Sketches of Spain, de Miles Davis. Daí a idéia de transformar o andamento da música em um bolero e a melodia vocal com elementos orientais. Se tornou hino de protesto contra a guerra do Vietnã e um momento psicodélico sublime na história do rock.

In-A-Gadda-Da-Vida Iron Butterfly (1968)
O Iron butterfly era sinônimo de muitas experiências lisérgicas e muitas viraram gravações. Com o LSD em alta, 'In-A-Gadda-Da-Vida' se tornou um hit mundial com formato totalmente anti-comercial. Ao longo de 17 minutos de duração com solo de bateria e sons imitando animais. Segundo o guitarrista Erik Brann o tema foi inspirado em uma missa negra africana chamada “Missa Luba”.

We Will Fall  The Stooges (1969)

 The Stooges, foto de divulgação do primeiro álbum de 1969
Fim do verão do amor e da década de 60, trouxe ódio e falta de perspetiva. “We Will Fall” é a trilha definitiva das “bad-trips” em um mantra que se arrasta por mais de 10 minutos. Em 1969 essa faixa tenebrosa parece perfeita para o fim daquela era marcada pela guerra do Vietnã e conflitos raciais na América. 

Tecnicolor Mutantes (1971)
Os Mutantes

Apesar da banda utilizar de experiências psicodélicas desde os dois primeiros álbuns, foi na viagem a Paris, em 1970, que o LSD começou a fazer parte do dia a dia da trupe. Lá gravaram o álbum Tecnicolor, com versões para antigos clássicos em inglês, que permaneceu inédito até 2000. No entanto a música “Tecnicolor" acabou saindo no disco de 1971, Jardim Elétrico. Depois, já sem Rita Lee nos vocais, fariam um disco inteiro influenciado pelo LSD (A e o Z) descaracterizando a banda com um som progressivo que imperava na época.
Maggot Brain Funkadelic (1971)
Pessimismo anti flower-power, era barra pesada ser negro nos EUA de 1971, mesmo com musicos como Sly Stone e Marvin Gaye fazendo sucesso. Apesar de intrumental, “Maggiot Brain” diz muito! A guitarra de Eddie Hazel era mais que suficiente para tamanho feito. Com seus mais de 10 minutos mergulhado em ácido, paranóia e medo. O vocalista, George Clinton chegou para Hazel ( já com sua cabeça em Marte) e sussurrou no ouvido dele: “Toque como se sua mãe tivesse acabado de morrer!” Foi só colocar a fita pra rolar...

Outras pérolas lisérgicas:
A Girl Named Sandoz Eric Burdon and the New Animals (1967)
Sunshine Superman Donovan (1966)
Roller Coasters 13th Floor Elevators (1966)
Dark Stars the Grateful Dead (1969)
Section 43 Country Joe and the Fish (1966)
Eight Miles High The Byrds (1966)
Itchycoo Park The Small Faces (1966)
I Can See for Miles The Who (1967)

domingo, 9 de maio de 2010

STONETEMPLEPILOTS

STONETEMPLEPILOTS

Tiny Music... Songs from the Vatican Gift Shop   
 
me lembro do impacto que este disco causou em minha mente de 15 anos aspirante a rebelde. meu jovem amigo, Tomazette ganhou de aniversário aquele ano de 96, de jaquetas de couro e jeans com aberturas no joelho, aquela altura fora de moda, por isso, não deixavam que entrássemos no colégio, pura curtição. infelizmente ele faleceu há poucos anos. beatles, stones, zeppelin, sabbath, grunge, punk, dead kennedys, ramones, skate, tombo atrás de tombo, nada de álcool ou drogas, também não demorou muito pra rolar. com as garotas nenhuma popularidade. não havia nada que gostávamos na MTV, (nos dias de hoje idem) rock n' roll de verdade era uma raridade que apreciávamos com os discos de vinil que começamos a colecionar. brilhante! este álbum exala atitude rock n' roll sem frescuras, coisa rara hoje. também nessa época peguei umas poucas aulas de guitarra que me levou a conhecer o blues. a guitarra também era um meio pra chamar atenção das garotas. mais tarde aprendi que, dependendo o que ou como tocasse, também poderia afugenta-las. como outros álbuns do Stone Temple Pilots, esse vem recheado de deliciosas cancões que, por sinal, ainda escuto em dias bons ou ruins e claro, várias histórias durante as gravações, a bateria, por exemplo, foi gravada em um jardim em algumas faixas. it's only rock n' roll but i like.





sexta-feira, 7 de maio de 2010

Frank Zappa

Frank Zappa: guitarrista, compositor, arranjador, regente, band-leader, produtor, inventor, sátiro anárquista, etc...

Frank Vincent Zappa (1940 - 1993) foi um exímio guitarrista, músico e compositor dos mais produtivos do século XX. Sua obra musical estende-se do rock ao jazz até a música clássica juntando os ambos. Considerado um dos maiores gênios musicais de todos os tempos. Algumas frases do mestre;

"Conduzir uma orquestra é abanar as mãos ou um pedaço de pau, criando desenhos no ar, onde são interpretados como mensagens musicais por gente de fraque, que preferiria estar pescando."

"A mente é como um pára-quedas. Só funciona se abri-lo."

"A emoção de um músico é a coisa mais importante, é o que sobrepõe ao acorde. Se deixar isto de fora, a música não vai lhe tocar."

"Droga não é o mal. A droga é um composto químico. O problema começa quando pessoas tomam drogas como se fosse uma licença para poderem agir como babacas."

"Sem um desvio do normal, progresso é impossível."

"Sem música para decorar, tempo é só a monotonia de prazos de entregas e contas à pagar."

"Política é o departamento de entretenimento da indústria."

"Se você quer trepar, vá à faculdade. Mas se você quer aprender alguma coisa, vá à biblioteca."

"Se você acabar com uma vida tediosa e miserável porque você ouviu seus país, seus professores, seu padre ou alguma pessoa na televisão, dizendo para você como conduzir a sua vida, então a culpa é só sua e você merece."

"Meu conselho para quem quer ter uma criança sadia e feliz é mantê-la o mais longe possível de uma igreja. Crianças são ingênuas e confiam em todo mundo. Escola já é ruim mas se levá-la para a igreja, então está querendo mesmo problemas."

"A maioria das pessoas não reconheceria uma música boa se ela viesse e as mordesse na bunda."

"Alguns cientistas acreditam que hidrogênio, por ser tão abundante, é o elemento básico do universo. Eu questiono este pensamento. Existe mais estupidez do que hidrogênio. Estupidez é o elemento básico do universo."
"Existe mais canções de amor do que qualquer outro tipo. Se canções influenciasse as pessoas, amaríamos uns aos outros."

"Existem vários guitarristas muito bons por aí, mas posso lhe garantir que sou o único fazendo as coisas que faço. Isto porque não me apresento como um estrela. Vou lá pra tocar composições."

"Tocar guitarra é como trepar. Você jamais esquece, a não ser que você seja realmente muito burro."

"A parte mais feia do seu corpo é sua mente."

"Pessoas consomem produtos via respiratória para poderem diminuir seu nível intelectual e assim poderem se sentir parte da turma. Afinal, ninguém gosta de andar com quem é mais inteligente do que você. Isto não é divertido."

Magic Fingers faz parte do filme 200 Motels, produção barata de 1971, cheio de viagens surrealistas. Creio que nunca foi lançado por aqui, porém vi uma versão em inglês original. Conta com a participação de Ringo Starr, além de Eddie e Flo ex-integrantes dos The Turtles, que participam cantando muito neste som.

 

domingo, 2 de maio de 2010

Música e Tumulto Racial na Detroit Motorizada

Graças a Henry Ford e de e sua Ford Motors e desde o fim da segunda guerra que muitos negros chegavam ao Estado de Michigan, fugindo do horror do fanatismo e racismo dos brancos do Sul. Esse contingente naturalmente ia parar nos guetos de Detroit e esse pessoal trazia consigo uma de suas maiores preciosidades, o blues.

Photo by Machine Gun Thompson's Blog

Com a indústria automobilística na década de 1950 o rock n' roll pegava Detroit de assalto. Os operários das fábricas tinham também no rock uma de suas maiores diversões. Na noite de sexta-feira todos se mandavam para os clubes noturnos na Michigan Avenue, onde gigantescas jukeboxes exerciam sua função e colocavam todos à parte do que estava por vir. Em cada esquina da cidade a garotada aprendia a beça ouvindo tanto a guitarra de Chuck Berry como aprendendo os passos fabulosos de James Brown. Essa fusão de estilos e referências continuava pelos anos seguintes; qualquer jovem de Detroit que ouvisse rádio e comprasse discos na época, assimilava em mesma intensidade em mesma intensidade o rock visceral britânico de bandas como The Who e Yardbirds e a liberdade musical do jazz de caras como John Coltrane, Eric Dolphy, Sun Ra, Pharaoh Sanders, Archie Shepp, Cecil Taylor, Sunny Murray e outros. A conexão entre os estilos era total e a absoluta. Os mais astutos sabiam que a liberdade musical estava muito acima do que qualquer rótulo estúpido. Para a molecada, que passava dias e dias ensaiando numa garagem, a música era o natural caminho para fugir da dura rotina das fábricas.

Sun Ra and His Myth Science Arkestra

Essa juventude de Detroit acabou tendo um background completamente diferente dos demais pólos culturais da América e do mundo. As influências e a paisagem industrial certamente criaram um peculiar estilo ou seja, a “pegada” de Detroit é diferente, no rock, soul ou blues.
O perfil dos músicos de Detroit era muito diferente dos hippies de são Francisco, dos intelectuais de Nova York, dos astros de Hollywood ou dos dândis da Swingin' London, por exemplo.
Funkadelic

Em meadas da década de 1960, a cidade dos motores era também o epicentro das radicais políticas juvenis da América. No verão de 1967, sim aquele mesmo do paz e amor de frisco, o exército tomou as ruas de Detroit buscando restabelecer a ordem. Tudo começou numa manhã de domingo, dia 23 de julho de 1967, quando a polícia local invadiu um bar na área barra pesada da cidade. No local, 82 negros comemoravam a volta de dois soldados do Vietnã e mesmo assim a policia resolveu levar todo mundo em cana. O que era um confronto dentro do bar acabou resultando num dos mais trágicos episódios da história moderna da América, conhecida também como o 12th Street Riot, onde 43 pessoas foram mortas e quase 500 ficaram feridas , em cinco dias de revolta. Desses 43 mortos, 33 eram negros e isso caracterizou o ocorrido como um dos maiores tumultos raciais da época.
Algum tempo aos os tumultos, já na década seguinte, as coisas só pioraram para Detroit, o desemprego disparou, o tráfico de drogas virou um meio de ganhar a vida pra muita gente e todo mundo passou a comprar armas, o que tornou a cidade a capital nacional dos homicídios: cerca de 800 por ano. De Motor City a cidade passava a ser conhecida como Murder City.
O cenário ficava diferente; quarteirões e mais quarteirões de prédios abandonados. A população, que antes era de quatro milhões de pessoas, cai para um milhão e alguns mais céticos a chamar a cidade de “Pompéia americana”.

 MC5 Album Art

Exageros a parte, Detroit sempre será considerada a uma das Mecas do rock mundial. O cenário agressivo da cidade sempre refletiu diretamente na música parida de suas entranhas. Da voz potente de Mitch Ryder passando pela violência de Stooges e MC5; da guitarra altíssima de Ted Nugent passando pela esmerada produção magnífica da Motown...

  Motor City is Burning, blues furioso do MC5 é inpirado em nesses dias, com direito a simulação de uma metralhadora na performance do guitarrista Wayne Kramer. It's time to Kick out jams motherfuckers!