(A mulher com o leque, 1768 - Alexander Roslin, Museu Nacional de Estocolmo).
Alexander Roslin, pintor sueco (Malmö 1718 – Paris 1793). Viveu na Itália, depois estabeleceu-se em Paris (1752), onde se casou com a desenhista Marie Suzanne Giroust e fez carreira como retratista.
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
O período em que os universos da poesia, do rock and roll, da arte e do sexo entravam em colisão
Primeiro disco de Patti Smith, Horses (1975)
Encontrara alívio em Arthur Rimbaud, com quem havia deparado em uma banca de livros do outro lado da rodoviária de Filadélfia quando tinha dezesseis anos. Seu olhar arrogante me encarou na capa de Illuminations. Ele possuia uma inteligência irreverente que me acendera, e tomei-o por um compatriota, um parente, e até um amor secreto. Sem ter os 99 centavos para comprar o livro, surrupiei-o.
Rimbaud tinha as chaves para uma linguagem mística que devorei mesmo sem ainda ser capaz de decifrar. Meu amor não correspondido por ele era tão real para mim quanto qualquer coisa que eu já houvesse experimentado. Na gráfica onde eu trabalhara com um grupo de mulheres duras e analfabetas, fui perseguida por causa dele. Desconfiando que eu fosse comunista por ler um livro em língua estrangeira, elas me ameaçaram no banheiro, incitando-me a denuncia-lo. Ele se tornou meu arcanjo, livrando-me dos horrores mundanos da vida fabril. Suas mãos haviam esculpido um manual do céu e nelas rapidamente me agarrei. Conhecê-lo trouxera insolência aos meus passos e isso não podia ser tirado de mim. Joguei meu exemplar de Illuminations em uma mala xadrez. Nós fugiríamos juntos.
(Patti Smith)
A performer e poeta Patti Smith nasceu em 1946, em Chicago. Seu disco Horses (1975), tido como precursor do punk, foi considerado pela revista Time um dos cem melhores álbuns de todos os tempos. Patti também publicou livros de poesia como Babel e Auguries of Innocence. Em 1973, expôs seus desenhos pela primeira vez, e, em 2008, a Fundação Cartier de Paris apresentou uma grande mostra da artista.
Encontrara alívio em Arthur Rimbaud, com quem havia deparado em uma banca de livros do outro lado da rodoviária de Filadélfia quando tinha dezesseis anos. Seu olhar arrogante me encarou na capa de Illuminations. Ele possuia uma inteligência irreverente que me acendera, e tomei-o por um compatriota, um parente, e até um amor secreto. Sem ter os 99 centavos para comprar o livro, surrupiei-o.
Rimbaud tinha as chaves para uma linguagem mística que devorei mesmo sem ainda ser capaz de decifrar. Meu amor não correspondido por ele era tão real para mim quanto qualquer coisa que eu já houvesse experimentado. Na gráfica onde eu trabalhara com um grupo de mulheres duras e analfabetas, fui perseguida por causa dele. Desconfiando que eu fosse comunista por ler um livro em língua estrangeira, elas me ameaçaram no banheiro, incitando-me a denuncia-lo. Ele se tornou meu arcanjo, livrando-me dos horrores mundanos da vida fabril. Suas mãos haviam esculpido um manual do céu e nelas rapidamente me agarrei. Conhecê-lo trouxera insolência aos meus passos e isso não podia ser tirado de mim. Joguei meu exemplar de Illuminations em uma mala xadrez. Nós fugiríamos juntos.
(Patti Smith)
A performer e poeta Patti Smith nasceu em 1946, em Chicago. Seu disco Horses (1975), tido como precursor do punk, foi considerado pela revista Time um dos cem melhores álbuns de todos os tempos. Patti também publicou livros de poesia como Babel e Auguries of Innocence. Em 1973, expôs seus desenhos pela primeira vez, e, em 2008, a Fundação Cartier de Paris apresentou uma grande mostra da artista.
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domingo, 8 de agosto de 2010
The Runaways
O filme The Runaways, dirigido por Floria Sigismondi, estreou 09 de Abril de 2010 nos Estados Unidos, baseado no livro Neon Angel da vocalista, Cherrie Currie, e por isso mesmo, focaliza quase exclusivamente a sua perspectiva da banda e seus acontecimentos focalizados primordialmente em Cherrie e Joan Jett. Conta com as atuações de Kristen Stewart e Dakota Fanning.
The Runaways foi uma das primeiras bandas formada só por mulheres em Los Angeles, Califórnia em 1975, emplacando poucos hits, deixou um enorme legado. As guitarristas Joan Jett, com seus Blackhearts, e Lita Ford foram bem sucedidas em suas carreiras solo após o final da banda em 1979, Joan com mais influências do punk e Lita Ford mais heavy metal e glam rock.
Joan Jett está com vários lançamentos nesse ano, entre eles a sétima compilação de sua bem sucedida carreira o duplo “Greatest Hits”, lançado pela Blackhearts Records (gravadora independente fundada por Joan Jett e Kenny Laguna). Joan continua bela e detonando com os Blackhearts.
The Runaways desfrutou de breve sucesso, inclusive no Japão, e apenas hoje sua importância é reconhecida. De quebra, influênciaram nos anos 80 e 90 várias bandas feminimas como L7, Girlschool, 7 Year Bitch, Babes in Toyland, entre outras. Na trilha sonora, Suzi Four, MC5, The Stooges, David Bowie, Joan Jett, Sex Pistols e The Runaways.
O “Greatest Hits” de Joan Jett, lançado em vários formatos, o álbum inclusive ecologicamente correto, contêm 21 faixas, oito delas foram regravadas e estão presentes no filme.
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sexta-feira, 7 de maio de 2010
meu sono insone - Neomisia Silvestre
meus olhos saltados pro mundo falam por mim. minha perna de joelho mole quer me dizer algo, eu sei. o meu riso de boca escancarada deve soltar meias palavras. o meu coração, ah, este sim, tolo completo, revela tudo. me desnuda frente ao acaso, me obriga a olhares de incerteza e falas pré-conceituadas, osas. e me deixo. de uns tempos para cá, não ligo, mas deixo a ligação cair até o último chamar. regredi esfumaçada. avancei. avancei demais. recuei quando é dever dos homens seguir. é, normalmente me deixo levar por um sentir bom, mas que expõe e fragiliza. sim, palavra antes dita, mas perfeita palavra. e viro cristal e pele em vida e abismo à frente. eu quero despencar, despejar ali o que me sobra e o que me falta. me falta um pedaço. cadê aquela outra perna reserva? antes não ter notícias. quiçá me privar do conhecimento fosse melhor à minha falta. e eu vivo incerta de tudo ao meu redor. metamorfoseando-me aos poucos. já não sei que sou, que serei daqui um tempo. e que tempo é este? egoísta tempo. egoísta eu, que quero o perto no meu tempo passante sendo o ser livre que se é. e minha imaginação me bota um existir platônico e leocadiano de ser: não sou. gosto dos personagens de uma literatura não existente. eu não existo. nada existe. e lembro todos os dias de existir desde que tomei o conhecimento. é, talvez eu tenha tomado um porre de conhecimento. ele vive aqui martelando cuca, me tirando o sério, me entristecendo dias, me enchendo horas de alegria precoce. das vagas lembranças restaram livros, doces, músicas que ninguém ouve e palavras inventadas sem a veracidade cruel dos aurélios. minhas lágrimas revelam um sofrer de quem rumina dores por um sofrer mais poético. e sem saber, poemas me são escritos e coloridos.
(Neomisia Silvestre)
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terça-feira, 27 de abril de 2010
o pó das coisas
Deu início à bagunça. Há tempos estava lá amontoada num canto. E saiu tanto pó, tanta coisa, que resolveu fuçar mais. Revirou tudo sem procurar nada. Encontrou história, de vida. Um agregado de lembranças, ali naquele mesmo lugar: o passado. Definitivamente não vivia tal tempo, estava sempre ausente no presente. Rememora tudo. Data e sobrenome. Vestimenta e expressão. Cor e palavra. Topou com a vitrola antiga. Empoeirada. Atchim. Como t
antas outras coisas que deixou criar pó quando precisava apenas soprar. Avistou também um disco, aquele clássico Concierto. Deixou-se ouvir. Cada acorde. O primeiro foi direto no estômago, doeu. Percorreu veias, passou pelo coração e estacionou na memória. Ali reviveu momentos. Apoiou levemente a cabeça no sofá vermelho, desses já furados por netos e gatos. O compacto seguiu baixinho nas paredes da casa de silêncio cômodo, possível ouvir o pulsar da agulha. Toca-dor a compartilhar espaço com móveis doutra época. Permitiu-se passear acompanhando cada volta negra, brilhosa. Movimentos circulares. Bons ares aqueles. Sorriu. Episódio engraçado aquele baile. Esticou corpo, avistou o mesmo sapato pisado no canto do quarto, repousando. Como agora o par descansava, em paz. A nota mudou e levou rápido à festa surpresa. Os amigos faziam perceber a velhice. Escolhas pretéritas suas. Roupas e decoração. E que poder aquela música tinha? Perdida entre todas as datas. Microscópicas. Lembrou daquele passeio que fez absolutamente nada o dia inteiro, o melhor. O que fizera dos dias, pó? Sentiu ferrugem corroer certas lembranças. Chorou. Deixou mesmo ir embora, não se despediu. Viu a criança nascer. Sorriu seu primeiro riso. E que poder de transportação o da trilha. Aquela tarde virou seis, sete, oito da noite. Vizinhos não ouviam nada, nunca. Naftalina. Tanta gente bonita ficar feia, tanta gente fraca tornar forte. No presente o tempo corre mais rápido. Tempo atrás nada era assim. Ah, o meu tempo de guerra pelo ideal. Saudade. Aprisiona-se no instante musical. Aquele seu piano cantou história. Não restara ninguém pra contar. Adormeceu no pó das coisas.
antas outras coisas que deixou criar pó quando precisava apenas soprar. Avistou também um disco, aquele clássico Concierto. Deixou-se ouvir. Cada acorde. O primeiro foi direto no estômago, doeu. Percorreu veias, passou pelo coração e estacionou na memória. Ali reviveu momentos. Apoiou levemente a cabeça no sofá vermelho, desses já furados por netos e gatos. O compacto seguiu baixinho nas paredes da casa de silêncio cômodo, possível ouvir o pulsar da agulha. Toca-dor a compartilhar espaço com móveis doutra época. Permitiu-se passear acompanhando cada volta negra, brilhosa. Movimentos circulares. Bons ares aqueles. Sorriu. Episódio engraçado aquele baile. Esticou corpo, avistou o mesmo sapato pisado no canto do quarto, repousando. Como agora o par descansava, em paz. A nota mudou e levou rápido à festa surpresa. Os amigos faziam perceber a velhice. Escolhas pretéritas suas. Roupas e decoração. E que poder aquela música tinha? Perdida entre todas as datas. Microscópicas. Lembrou daquele passeio que fez absolutamente nada o dia inteiro, o melhor. O que fizera dos dias, pó? Sentiu ferrugem corroer certas lembranças. Chorou. Deixou mesmo ir embora, não se despediu. Viu a criança nascer. Sorriu seu primeiro riso. E que poder de transportação o da trilha. Aquela tarde virou seis, sete, oito da noite. Vizinhos não ouviam nada, nunca. Naftalina. Tanta gente bonita ficar feia, tanta gente fraca tornar forte. No presente o tempo corre mais rápido. Tempo atrás nada era assim. Ah, o meu tempo de guerra pelo ideal. Saudade. Aprisiona-se no instante musical. Aquele seu piano cantou história. Não restara ninguém pra contar. Adormeceu no pó das coisas.
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