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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Big brother Father´s

(George Orwell 1903-1950, autor do profético e brutal 1984, um dos maiores clássicos da literatura mundial e criador do termo Big Brother)

“Todas as crenças, hábitos, gostos, emoções e atitudes mentais que caracterizam a nossa época são realmente destinadas a sustentar a mística do Partido e impedir que se perceba a verdadeira natureza da sociedade atual. A rebelião física não é possível no momento, nem qualquer preliminar de rebelião. Dos proletários nada há a temer. Entregues a si mesmos, continuarão, de geração em geração e de século em século, trabalhando, procriando e morrendo, não apenas sem qualquer impulso de rebeldia, como sem capacidade de descobrir que o mundo poderia ser diferente do que é. Só poderiam ficar mais perigosos se o progresso da técnica industrial tornasse necessário educá-los mais; porém; como a rivalidade militar e comercial não tem mais importância, declina o nível de educação popular. As opiniões de massas, ou a ausência dessas opiniões, são alvo da máxima indiferença. Não é possível dar-lhes liberdade intelectual porque não possuem intelecto. Num membro do Partido, por outro lado, não se pode tolerar nem o menor desvio de opinião a respeito do assunto menos importante.”
Trecho do romance 1984 de George Orwell

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

o Mago Químico e o MDMA


 Alexander Shulgin recebendo Hamilton Morris em seu laboratório

Apesar do nome de Alexander Shulgin não ser exatamente familiar, ele é sem dúvida o químico psicodélico mais importante que já existiu. Aqueles que o conhecem costumam saber apenas sobre o seu papel na redescoberta e popularização do MDMA. Mas o MDMA é apenas um dos mais de cem compostos químicos que compõem a farmacopeia de Shulgin que se entende tão profundamente no desconhecido que ele precisa constantemente inventar novas expressões para descrever os seus efeitos (“ruptura ocular” é uma de minhas preferidas). As drogas são auditivos seletivos e alucinógenos táteis, psicodélicos que dilatam o tempo ou colocam o usuário em um estado de confusão amnésica, são antidepressivos, afrodisíacos, estimulantes, empatógenos, entactógenos, neurotoxinas e pelo menos um inseticida bem lucrativo bem lucrativo. Também são alguns dos remédios mais valiosos que o homem conhece e, apesar de apenas uma pequena parte deles ter sido formalmente estudado, são as melhores ferramentas de que dispomos para compreender a composição química humana.
A carreira e Shulgin começou na empresa Dow Chemical, onde ele fez nome ao sintetizar o Zectran, o primeiro inseticida biodegradável. Depois desse sucesso, ele recebeu carta branca para trabalhar com os químicos que quisesse. Ele escolheu os psicodélicos e se dedicou à criação de uma anfetamina chamada DOM, que na época só ficava atrás do LSD em termos de potência. Uma única dose generosa chega a durar 48 horas. Em 1967, um químico do Brooklyn, Nick Sand, percebeu o potencial comercial da droga. Ele construiu um laboratório industrial em São Francisco onde cozinhava DOM em um panelão de sopa de 150 litros, e vendia por quilo para os Hells Angels, que cruzavam os EUA despejavam dezenas de milhares de tabletes de 20 mg de DOM extremamente potentes sobre o público. Esse influxo despirocou hordas de hippies no Golden Gate Park.
Enquanto isso, a menos de uma quadra Tompkins Square Park, a polícia de Nova York derrubou a porta de uma igreja psicodélica chamada Igreja da Exaltação Mística em uma batida matutina. A polícia aprendeu cerca de oito milhões de dólares em drogas psicodélicas, incluindo 1.500 doses de DOM, dois pés de maconha e “inúmeros colchões”. Notícias de uma epidemia de surtos induzidos pelo DOM enchiam os jornais, um usuário em Mahnhattan ingeriu uma dose e realizou um ritual de haraquiri, estripando a si mesmo com uma espada de samurai no Dia das Mães. A essa altura, a droga ainda não tinha sido identificada, e o New York Times alternava as informações ora dizendo que se tratava de um gás tóxico militar secreto, ora que se tratava do “caviar de drogas psicodélicas”. Acabaram descobrindo que o DOM era resultado das pesquisas farmacêuticas conduzidas por um então desconhecido químico da Dow. Como era de se esperar, a Dow não ficou contente com isso. Assim que a fonte foi identificada, as relações entre Shulgin e a Dow foram cortadas.
Livre da Dow, Shulgin montou seu próprio laboratório no quintal de casa e passou a pesquisar drogas com total independência e com a consciência de que as substâncias químicas que criava tinham o potencial de ir parar na mente de pelo menos um milhão de pessoas. Ele testava pessoalmente cada novo composto e, quando achava válido, também testava em sua esposa e amigos, sempre dando ênfase especial às propriedades sexuais dos psicodélicos (ou, como diz o próprio, “o erótico”). Ao longo de 50 anos, Shulgin concluiu o mais exaustivo exame de estruturas psicodélicas jamais feito e produziu um leque de drogas que rivalizava com a produção de muitas gigantes farmacêuticas. O tempo todo preservou sua sanidade e cavalheirismo, tocando viola, dando aulas na universidade e comparecendo a saraus de elite no Bohemian Grove.
Texto de Hamilton Morris, farmacologista

Alexander "Sasha" Shulgin (Berkeley, 17 de Junho de 1925) é um farmacologista, químico e pesquisador de drogas russo-estadunidense.
Shulgin popularizou o MDMA no final dos anos 70 e início dos anos 80, especialmente pelos seus usos em tratamentos psicofarmacêuticos e tratamento de depressão e desordem depressiva pós-traumática. Nos anos seguintes, Shulgin descobriu e sintetizou mais de 230 componentes psicoativos. Em 1991 e 1997, ele e sua esposa Ann Shulgin escreveram os livros PiHKAL (Phenethylamines I Have Known and Loved) e TiHKAL (Tryptamines I Have Known and Loved), ambos sobre substâncias psicoativas. Atualmente continua seu trabalho em sua casa em Lafayette, Califórnia.


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Propaganda racista, conspiração e cannabis

Um artigo incompetente que associava maconha, crime e insanidade foi publicado no Journal of Criminal Law and Criminology em 1932, passando a ser frequentemente citado a partir de então como um estudo definitivo. Os autores, L.E. Bowery, um policial de Whichita, no Kansas, e M.A. Hayes, afirmaram que o usuário de maconha é capaz de:

“grandes proezas de força e resistência, durante as quais nenhuma fadiga é sentida... Os desejos sexuais são estimulados e podem conduzir a atos antinaturais, como exibição indecente e estupro... (O uso da maconha) termina na destruição dos tecidos e centros nervosos do cérebro, e produz danos irreparáveis. Se prolongado, o resultado inegável é a insanidade, qualificada por aqueles que a conhecem como absolutamente incurável, e culminando, sem exceção na morte.”

Embora os promotores da moral costumassem proclamar que a maconha gera uma droga abominável, sedutora, que causava insanidade e crime, a Cannabis sativa foi proibida nos Estados Unidos por razões que estavam tão ligadas a racismo e economia quanto a moralidade. Uma associação arbitrária que vinculava que a “loucura da maconha” com mexicanos, afro-americanos, jazz e violência havia sido adotado por doutrinadores, cujos temores e fantasias eram alimentados pela mídia. “Conserve a América americana”, era a fórmula usada pelos que buscavam transformar em bodes expiatórios as minorias raciais e as ondas de novos imigrantes, exibindo como uma ameaça para a moralidade da nação em histórias sensacionalistas de primeira página que encontraram seu epítome na imprensa marrom de William Radolph Hearst. Este odiava minorias e usava sua cadeia de jornais para agravar tensões raciais em todas as oportunidades. Era sabido que os jornais de Hearst afirmavam que a cocaína levava os negros a estuprar mulheres brancas – até que a cocaína saiu de moda, momento em que a maconha passou a ser responsável pela violação de mulheres brancas por negros.
Propaganda da década de 30 aponta os 'perigos' da erva
Hearst odiava especialmente os mexicanos. Seus jornais retratavam os mexicanos como preguiçosos, degenerados e violentos, além de fumantes de maconha e ladrões de empregos. È bem possível que o verdadeiro motivo por trás desse preconceito fosse o fato de Hearst ter perdido 320 mil hectares de floresta nativa para o exército de Pancho Villa, o que sugere que seu racismo era alimentado pela ameaça mexicana a seu império.
O ativista do cânhamo Jack Herer, que publicou em 1994 o livro O rei está nu, afirma convincentemente que a cannabis foi proibida nos Estados Unidos não só por razões “morais”, mas por razões econômicas. Os produtos de cânhamo ameaçavam certos grupos de interesse financeiros e industriais, que conspiraram para destruir a indústria dando apoio aos zelosos reformadores morais que visavam sua proibição em nível federal. As industrias petroquímica e de polpa de celulose, em particular, corriam o risco de perder bilhões de dólares se o potencial comercial do cânhamo fosse plenamente explorado. Herer cita Hearst e Du Pont como dois dos grupos de interesse mais responsáveis pela orquestração da extinção da manufatura do cânhamo. Na década de 1920, a companhia Du Pont desenvolveu e patenteou aditivos para combustíveis como o chumbo tetraetil, bem como os processos de manufatura de polpa e celulose baseados no sulfato e no sulfito, e vários novos produtos sintéticos como o náilon, o celofane e outros plásticos. Ao mesmo tempo, outras companhias estavam desenvolvendo produtos sintéticos a partir de recursos renováveis de biomassa – especialmente o cânhamo. O decorticador de cânhamo prometia eliminar em grande parte a necessidade de polpa de celulose, ameaçando assim reduzir drasticamente o valor das vastas áreas de florestas que Hearst ainda possuía. A Ford e outras companhia já estavam prometendo fazer com carboidratos de cânhamo todos os produtos que aquele momento eram feitos com hidrocarbonetos de petróleo. Em resposta, de 1935 e 1937, a Du Pont pressionou o principal conselheiro do Departamento do Tesouro, Herman Oliphant, em prol da proibição cannabis, assegurando-lhes que os petroquímicos sintéticos da Du Pont (como o uretano) podiam substituir o óleo de semente de cânhamo no mercado.
Algumas grandes companhias farmacêuticas também estavam em situação de ganhar com a proibição da cannabis, uma vez que seus tranquilizantes sintéticos de formula patenteada (como barbitúricos) iriam encontrar espaço no vazio deixado pela proibição daquele relaxante natural. Ao mesmo tempo, algumas companhias estavam distribuindo toneladas de maconha no Texas e no sudeste, onde era vendida no balcão em pacotes de 30 gramas, em tinturas, e por reembolso postal. Em El Paso, no Texas, farmacêuticos foram entrevistados para um relatório para um relatório destinado ao USDA (United States Department of Agriculture) que visava determinar se a “erva louca” mexicana era um problema a exigir intervenção federal. As respostas que eles deram refletiam conscientemente – e perpetuaram – a propaganda racista associada à maconha. Sem preocupação alguma com a objetividade, o relatório governamental afirmava que a maconha era comprada por mexicanos “de baixa extração” para fins de prazer e medicinais, inclusive o tratamento de doença venérea; outros compradores incluíam negros, choferes e brancos de baixa classe como aqueles afeitos ao uso de drogas geradores de dependência e parasitas do submundo. Com propaganda e influência política, a Du Pont, a Hearst e seus associados dirigiam seus esforços para esmagar a competição representada pelo cânhamo, e tiveram êxito.

Texto extraído de "O grande Livro da Cannabis" de Rowan Robinson. Guia de uso industrial, medicinal e ambiental.

domingo, 2 de maio de 2010

Guerra Civil: Medo e Morte nas ruas


Últimas notícias:
Policiais ocupam o morro após guerra;
Supostos pastores praticavam tráfico;
PC identifica 20 líderes do tráfico no Rio;
Bandidos derrubam helicóptero da PM;
Polícia fecha a enfermaria do tráfico;
Ataque do tráfico no Rio de Janeiro fere 13 pessoas;
Preso suposto chefe do tráfico no Rio;
Rio cerca tráfico e até a polícia já teme a guerra;
Bandidos desviam 22% das armas de empresas privadas;
Em 6 anos, 21.240 armas de guardas privadas foram para as mãos de bandidos;
Traficante colombiano preso no Rio é transferido ao RN;
Uso do crack cresceu após ações contra a cocaína;
Bope está no topo, diz comandante;

 
 Mapa do tráfico de seres humanos
52 PM's são presos por corrupção e Rio pode recorrer à Força Nacional
Presos 4 acusados de incendiar micro-ônibus;
Soldado da polícia modelo é preso por roubar caixa;
PM é preso com ecstasy e LSD em Parnamirim-RN;
Preso ex-policial que atuava como informante do tráfico;
Preso ex-PM suspeito de ser segurança do tráfico;
Policia aprende armas no Morro da Providência;
Disputa pelo controle de morros no Rio deixa um PM morto.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A Night at the Treme-Treme


  Oiginally by stuck at bronze 

Começo de qualquer noite em 1999, correndo para executar as trinta e tantas O.S (ordem de serviço) que eu e meu parceiro derrubaríamos até as 22:00 horas. Na época, eu trabalhava na Eletropaulo Metropolitana pós-privatização, ante das centenas de prestadoras de serviços, e me lembro de estar muito apreensivo não só pela região decadente ou por que, na ocasião, iriamos efetuar uma solicitação de corte, mas foi o singelo comentária do meu comparsa ao estacionar a caminhonete na faixada do famigerado Treme-Treme, que grudou na minha massa cinzenta.

“Olha garoto, o lugar é barra pesada! Aqui mora um pessoal meio esquisito e quando estaciona algum carro de polícia aqui, costuma voar algo como um botijão de gás em cima dele. Mas, fica tranqüilo tá ?!”
“Tá ?”
Nunca tive medo de elevador, apesar daquele ser desprovido de qualquer manutenção a anos e estar bem capengo, na ocasião meu medo era dos sujeitos que subiam conosco. Gritos, urros, janelas se quebrando, varais improvisados e olhares pouco amistosos aos dois alienígenas munidos com jaleco cinza e laranja, botas, luvas pesadas e, o muitas vezes dispensável, capacete. Os quadros elétricos, não menos abandonados e qualquer um tinha acesso. Me surpreende ninguém ter grudado em algum desses enormes distribuidores de energia ao cometer alguma fraude.
No final das contas, deu tudo certo. Executamos o trabalho afirmando aos curiosos que se tratava de um religamento, e saímos em disparada. 
Photo by Renato Rocha

Vizinho ao Palácio das Indústrias, defronte ao Mercado Municipal, o muito bem localizado Edifício São Vito, mais conhecido por Treme-Treme é geralmente lembrado por sua história de edificação largada e tomada pelo vandalismo, mas nos anos 50 foi um projeto arquitetônico de destaque. Hoje com seus 27 andares se encontra desapropriado pela Prefeitura de São Paulo, que anteriormente cogitou a reabilitação do edifício para habitação social e agora estuda a demolição do prédio. No entanto, há dezenas de outras edificações abandonadas na cidade (a Av. Celso Garcia possui uma legião deles). E pouco importa se são desapropriados ou não, estão presos a burocracias e permanecem anos nessa condição em contraste direto com as pessoas que sobrevivem ou “sub-vivem” nas ruas.

Photo by Renato Rocha

O tema é complexo, entretanto é difícil não notar ao caminhar por São Paulo a total indiferença com  tais "patrimônios" que "clamam" por restauração ou no mínimo, certo respaldo por parte dos gestores públicos.
Palmas ao nosso governo ou melhor, uma palma apenas por toda agilidade no planejamento de infra-estrutura (vale lembrar a cratera na construção das novas linhas do metrô) e bunda-molisse singular.


segunda-feira, 19 de abril de 2010

A Arte de Carlos Latuff


 

Carlos Latuff é um carica de 41 anos, engajado cartunista brasileiro e conhecido internacionalmente por utilizar sua arte como instrumento de denúncia com publicações fora dos jornalões, dando alguma dor de cabeça para uns e outros pelo mundo afora. Vez e outra é chamado pra comparecer à alguma delegacia, como no caso em que usou o mascote do Pan com um fuzil em um cartoon em 2007. Ganhou uma página na web dedicada à caça de sua cabeça por partidários do Likud israelense em 2006. Como um dos apreciadores de sua arte, deixo aqui uma entrevista realizada para o Canal Brasil, onde tomei conhecimento de seus trabalhos pela primeira vez, e posteriormente publicada no site: www.overmundo.com.br, com certeza o figura ainda dará muitas sapatadas por aí antes de ser importunado por algum xiita, direitista, fanático-maluco, republicanista ou qualquer outro "ista". E não é só na gringa que o cara incomoda não, aqui também, de fascistas à pseudo-fascistas, jornalistas globais e até outros artistas como o próprio comenta;

“O Chico Caruso, num debate aqui na UFRJ, disse que não sou cartunista, sou ativista. Que quero botar fogo no mundo, enquanto ele e outros cartunistas como Jaquar e essa turminha querem construir uma mídia democrática para o Brasil: Rá, rá, rá”.

O artista teve sua obra exposta nos folhetos zapatistas no México, no muro dos campos de refugiados palestinos no Líbano, nas revistas dos sindicatos coreanos, nos livros bielo-russos sobre anarquismo e em tantas outras causas humanistas de peso na atualidade.

Então, qual a tua arte, o teu trabalho?

O papel da arte não é ser correia de transmissão de políticas reacionárias. A arte que vale a pena hoje é aquela que questiona exatamente esses modelos. Ela tem que te colocar na parede, tem de fazer você sentir. Não precisa ser o tempo toda engajada, mas falta arte engajada. Comparativamente, por exemplo, à época da ditadura, que você tinha muitos artistas que davam a cara para bater, que produziam arte de contestação no cinema, no teatro, na poesia, no desenho, pintura, escultura. Mas hoje, de acordo com o pensamento vigente, não existe mais necessidade de se levantar, de reagir, de questionar porque nós estamos na democracia. “Resistir só faz sentido quando você tem tanque na rua...” É um ledo engano pensar a liberdade dessa forma, porque hoje se vive num sistema autoritário, de pensamento único, em que a mídia dita para você o que é ou não verdade.
Democracia é o que tem lá nos Estados Unidos, que só dois partidos centralizam a disputa? Democracia é o Paquistão, porque os Estados Unidos apóia o regime? O governo norte-americano ao mesmo tempo em que diz que Cuba é uma ditadura, não se refere como ditadura ao governo do Paquistão, porque é pró-americano. Dizem que o Hamas ganhou as eleições legítimas, na Palestina. Houve observadores internacionais... Mas eles são considerados terroristas. Depois do 11 de setembro foi foda, inverteu tudo.
Então nem tudo pode ser arte engajada, porque senão fica chato. E nem tudo pode ser entretenimento, porque fica vazio. É preciso ter a combinação das duas coisas, que é o que não vemos atualmente. Hoje, é só entretenimento, e nele já tem a questão ideológica colocada, só que de maneira subliminar ou lúdica. As pessoas não percebem. Normalmente, o cara que assiste Jack Bower ou Tropa de Elite é daquele tipo: “Ah, eu não gosto de política, eu não sou político”. Mas já está sendo cooptado sem saber.
 
Na época em que prestou esclarecimentos à polícia em 1999, pela divulgação do cartaz: A Polícia Mata

 Tu acreditas no poder de transformação da tua arte?

Eu questionava se a charge poderia ser, de fato, um agente transformador. Eu pensava: “Porra, mas é só um desenho na revista, num jornal, na internet. Um desenho não pára um míssel, não pára uma bala”. Mas aí, conversei com um cara, em Gaza: “Vem cá, faz diferença meu trabalho para você”? Falou que sim, que dava ânimo para eles, levantava a moral. Aí ele me fez lembrar que um dos heróis do povo palestino é um cartunista: Najir Al Ali. Então pensei: “Caralho, é isso. Realmente faz diferença. A arte levanta a moral quando você está na crise, é um tapa no ombro, é um afago na hora que você precisa”.

As pessoas precisam conhecer teu trabalho para que ele tenha esse efeito, e até Gaza tem um caminho... Qual é a relação que tens com tua produção, na questão da distribuição, do uso das imagens?

Antes da internet, eu não tinha qualquer perspectiva de ter o meu trabalho exibido nacionalmente ou fora do Brasil, porque eu dependeria, teria de me vender para um grande truste de comunicação. Mas com a internet ficou plenamente possível a distribuição dessas imagens.
Quando você cria uma página na internet, um blog, ou envia um desenho por e-mail para alguém, existe um fluxo, é o que se diz de processo viral. Eu achava que esse fluxo se restringia ao mundo virtual. Mas aí é que vem a mágica do negócio: o sujeito vê aquele desenho na internet e tem a possibilidade de imprimir, reproduzir numa publicação. Fiz uma charge sobre o atentado contra Benazir Butto, e saiu em jornal de grande circulação lá na Turquia. Eles pegaram na internet. Assim como acontece com o Comitê de Solidariedade aos Zapatistas, que pegava os meus desenhos e reproduzia em posters, folheto, panfleto, numa camisa. Os comitês de solidariedade à Palestina, ao Iraque, fazem da mesma maneira. E, aí, fodeu, aí corre… É um processo multiplicador. Eu não tenho controle sobre isso. É domínio público. E é isso que me importa, pois essas imagens apresentam uma visão diferente da grande imprensa burguesa e corporativa. São aquelas verdades inconvenientes que eles não querem que sejam vistas, mas a internet consegue quebrar esses bloqueios midiáticos. Então, para mim, como artista engajado, o copyleft é a melhor solução.

Tu não estás preocupado se pessoas ganham dinheiro com essa liberdade de uso das imagens? Como é tua arte ser de domínio público, de se apropriarem dela, mesmo que tu não saibas pra quê?

Aí vem o ativismo. Só é possível fazer isso com vistas a uma questão político-social. Não é uma questão monetária que está em jogo. Tem gente que usa esses desenhos para fins da militância, têm outros que são para embolsar, mas isso não é importante para mim. Por exemplo, a imagem do Che Guevara usando um kafia, aquele lenço que se coloca na cabeça... Aquele desenho, independente de neguinho faturar ou não, o que importa é que ele esteja rodando, esteja vivo.
Ano passado me mandaram uma fotografia de um campo de refugiados palestinos no Líbano e tinha esse desenho (mostra a camiseta que está usando) na parede. É isso que eu quero, que esses desenhos façam parte do ideário, do imaginário das pessoas, porque eles têm uma mensagem positiva sobre os palestinos que você não vê em lugar nenhum, porque o senso comum sobre os palestinos é que são terroristas, assassinos, fundamentalistas. Então, para quebrar o senso comum a melhor maneira, a que toca mais profundamente, é através da arte. Muita gente vai soltar foguetes quando eu bater as botas, vai abrir champagne no dia em que eu morrer. Se você procurar no Google pelo meu nome, você vai ver gente que me ama e que me odeia. Num site chamado Likudnik, em Israel, me ameaçaram dizendo que Israel já deveria ter cuidado de mim de um jeito ou de outro. Então, é sempre possível que alguém tome uma providência contra mim. Mas aí vem o exemplo do Najir Al Ali, que foi assassinado em Londres. O trabalho dele continua rodando o mundo, o tempo todo. Isso é a vitória maior.

E como é isso de também usar a arte para sobreviver?

Tenho um trabalho paralelo que faço junto à imprensa sindical, desde 1990. Se construí uma carreira, consegui viver até hoje, comer, foi graças à imprensa sindical. Com meus pontos de vista, jamais poderia trabalhar na grande imprensa. A não ser que eu fosse uma espécie de Arnaldo Jabor, que me vendesse. Tem muita gente que tem um passado comunista ou de esquerda, que diante das “circunstâncias”, do chamado do canto da seria da mídia, se vende. Franklin Martins era guerrilheiro, agora acho que é até ministro, né?
Eu achava que ter um passado guerrilheiro era credencial para alguma coisa. Porra nenhuma! Que aí, os caras ficam velhos e viram a casaca fácil! Como se essa coisa da queda do muro fosse a desculpa que precisavam: “Não tem mais a disputa ideológica de esquerda e direita… os tempos mudaram… agora é democracia”. Aí, os caras abrem as pernas. E vai trabalhar onde? Na Globo, para de repente bater nos movimentos que, no passado, ele tinha afinidade ideológica.
 
E a gente ainda vive numa luta de classes…


Evidente! Dizer que não existe luta ideológica é conversa fiada. Agora, “tudo é mercado”. É muito ruim, hein! Se fosse assim, bastava você pagar para ter publicado na grande imprensa qualquer conteúdo. Mas não é assim que a banda toca. Em 1999 eu queria fazer uns outdoors de uma exposição de charges sobre violência policial, com o título “A Polícia Mata”. Eu tinha o dinheiro, mas a empresa de outdoor se recusou. “Ué, mas não é o mercado? Não tinha o dinheiro?” Essas censuras são permanentes, continuam. Não é oficial, como na época da ditadura, mas agora você tem a censura do mercado, que é baseada também em questões ideológicas.
Eu lembro que a CUT tinha um esquema para montar uma emissora de televisão, com estúdio, tudo pronto, mas não conseguia a concessão. Como é que se dá concessão de rádio e TV? É uma questão mercadológica? Nada disso, é uma questão essencialmente ideológica. Mas tem sempre esses arautos do mercado, do liberalismo dizendo: “Não, caiu o muro, agora não tem mais esquerda e direita”.
Aqui que não tem! Neguinho bate no Chavez 24 horas! É uníssono. Não é possível que num país enorme como o Brasil, de norte a sul, todas as emissoras só batam no Chavez. Não pode haver essa unanimidade, tem de ter um contraponto. Até nos EUA, que são aquele monte de reaça, você tem contraponto. Sobre a guerra do Iraque, sobre a questão palestina, em Israel você tem o contraponto.


E o que tu achas sobre essas pessoas que transgridem com o direito autoral para fazer circular mensagens?

Tem um novo filme do Brian de Palma chamado “Redacted”, que já está na internet, devidamente legendado. Eu baixei e assisti. O Brian de Palma não tem trajetória de militância, é essencialmente um diretor hollywoodiano, comercial. Rapaz, esse “Redacted” é uma porrada, um soco no estômago. Mostra os eventos que antecederam ao estupro de uma menina de 15 anos, a sua execução e da sua família por soldados americanos em Samara, no Iraque. Se você não sabe que foi o Brian de Palma que filmou aquilo, você vai dizer que é o Michael Moore ou qualquer ativista de esquerda, comunista. Fernando Botero, que não é artista engajado, é um pintor de galerias, viu aquelas imagens de prisioneiros sendo abusados em Abu Ghraib e resolveu fazer uma série de pinturas que incomodam as pessoas, e elas não estão à venda. A maioria das galerias dos EUA se recusou a exibir as pinturas. Ele, que sempre encheu o rabo de dinheiro com aquelas figuras rechonchudas, teve seu chilique. Então, mesmo que o sujeito não seja um ativista, se como artista, de vez em quando, comprar essas brigas, lutas justas, já está bom. Que você não vê um puto de um artista fazer concerto pela Palestina. Diversas outras campanhas que você possa imaginar, eles fazem: Darfur, as baleias, aquecimento global, o caralho de asas, mas você nunca tem da Palestina.
Eu espero que os artistas sejam tocados, porque a situação está muito feia. As idéias fascistóides estão brotando do chão como erva daninha, estão ganhando espaço, sendo bem recebidas pelas pessoas. A grande mídia tem servido de alto-falante para essas coisas. É preciso voltar a incomodar, o que não está mais acontecendo. Está todo mundo abraçando o pensamento comum: todo mundo só quer o entretenimento… E a ideologia vai sendo colocada na nossa bunda no entretenimento, mas ninguém sente. É preciso que os artistas tenham um ímpeto guerrilheiro.

TALES OF IRAQ WAR by LATUFF 


sexta-feira, 26 de março de 2010

Admirável Mundo Novo - Mensagens Subliminares Agora

A cada dois ou três artigos, poesias ou qualquer coisa que o valha, sinto a necessidade de incluir textos que fazem parte de todo um contexto metafísico para alimentar a alma e as almas.


Imagine uma civilização de excessiva ordem onde todos os homens eram controlados por um sistema que aliava controle genético (predestinação) a condicionamento mental, o que os tornava dominados pelo sistema em prol de uma aparente harmonia na sociedade, resultado de uma feroz ditadura tecnológica. Isso não parece familiar?
Isso é a obra profética de Aldous Huxley concebida em 1932, nos mostra elementos como os de outro grande clássico da literatura universal o 1984 de George Orwell.
Sem espaço para questionamentos ou dúvidas, nem para os conflitos, pois até os desejos e ansiedades eram controlados quimicamente pelo “Soma”, sempre no sentido de preservar a ordem dominante. A liberdade de escolha restrita a poucas matérias da vida, o que nos dias de hoje está mais para ausência de opções dos meios de vida propriamente ditos e não a restrições materiais. O sistema era dividido em castas: as superiores eram decantadas em betas, alfas e alfas mais e se originavam de óvulos biologicamente superiores, recebendo o melhor tratamento pré-natal possível. Já as castas inferiores, bem mais numerosas, recebiam um tratamento diferenciado, denominado Bokanovsky. O  SOMA é a droga da vez.

Nos remete a lembrar que hoje, além das infinitas possibilidades químicas ilegais, são oferecidos uma gama de anti-depressivos, (eu mesmo já fiz uso em troca de cigarros) além de vícios de jogos. 
Mesmo sido publicado há quase 80 anos, parece ter sido escrito ontem! Nos leva à várias reflexões!
Sem esquecer o factum de que nos deliciamos todos os dias com mensagens subliminares escarradas pela mídia. Todos os dias e todas as horas de nossa vida moderna.


 Um edifício cinzento e atarracado, de apenas trinta e quatro andares, tendo por cima da entrada
principal as palavras:
CENTRO DE INCUBAÇÃO E DE CONDICIONAMENTO DE LONDRES-CENTRAL
e, num escudo, a divisa do Estado Mundial:
COMUNIDADE, IDENTIDADE, ESTABILIDADE
A enorme sala do andar térreo estava virada ao norte. Apesar do Verão que reinava no exterior, apesar
do calor tropical da própria sala, apenas fracos raios de uma luz crua e fria entravam pelas janelas. As
batas dos trabalhadores eram brancas, e as suas mãos, enluvadas em borracha pálida, de aspecto
cadavérico. A luz era gelada, morta, espectral, Apenas dos cilindros amarelos dos microscópios ela
recebia um pouco de substância rica e viva, que se espalhava ao longo dos tubos como manteiga.
- Isto - disse o Director, abrindo a porta - é a Sala da Fecundação.
No momento em que o Director da Incubação e do Condicionamento entrou na sala, trezentos
fecundadores, curvados sobre os seus instrumentos, estavam mergulhados naquele silêncio em que
apenas se ousa respirar, naquela cantilena ou assobio inconsciente com que se traduz a mais profunda
concentração. Um grupo de estudantes recém-chegados, muito novos, rosados e imberbes,
comprimiam-se, possuídos de uma certa apreensão e talvez de alguma humildade, atrás do Director.
Cada um deles levava um caderno de notas, no qual, cada vez que o grande homem falava, rabiscavam
desesperadamente. Bebiam a sua sabedoria na própria fonte, o que era um raro privilégio. O D. I. C. de
Londres-Central empenhava-se sempre em conduzir pessoalmente a visita dos novos alunos aos
diversos serviços.
Trechos de Admirável  Mundo Novo, Aldous Huxley (1932).

quinta-feira, 25 de março de 2010

Grigory Perelman esnoba prêmio máximo de matemática


Mesmo sendo já tarde da noite pós-trabalho regular, juntei poeira de força para escrever este artigo quando tomei conhecimento de um figura chamado Grigory Perelman, 40 anos então do Instituto Steklov de Matemática Russa de São Petersburgo.
Estudei eletrecidade/eletrônica por cerca de dois anos (mais de três entre técnico e profissionalizante) portanto, além de alguns componentes, princípios físicos e até químicos destes componentes o que resta é pura matemática. Sendo assim o feito do senhor Perelman não poderia passar despercebido por este que foi obrigado a engolir, sem água, a tal da matemática que por sinal, hoje vejo com outros olhos. Grigory Perelman é indicado como o possível ganhador da maior honra do mundo da matemática - a Fields Medal. Ele resolveu um problema matemático proposto simplesmente há um século por Henri Poincaré, considerado um entre os sete mais importantes problemas matemáticos do milênio, e deverá embolsar um prêmio de US$ 1 milhão (cerca de R$ 2,1 milhões) do Clay Mathematics Institut, em Massachussets, nos Estados Unidos. A chamada Conjectura Poincaré consiste em hiperanéis e hiperesferas existindo num espaço quadridimensional imaginário. Trocando em miúdos é o estudo daquilo que permanece constante quando um objeto é curvado, esticado ou pressionado.


Há informações de que Perelman largou a matemática em 2006 e vive um apartamento com a mãe em São Petersburgo. Pereman, tido como excêntrico e recluso, solucionou a conjectura em artigos publicados na internet nos anos de 2002 e 2003. Quando a solução foi confirmada Perelman recusou o prêmio afirmando que  era irrelevante para ele e o fato de a solução estar correta já seria reconhecimento suficiente.
Provavelmente seguro de sua genialidade, Grigory Perelman segue sua brilhante trajetória fora deste universo onde a matemática, para a maior parcela dos mortais, serve para quantificar lucros, dividendos ou dívidas e pouco importa se o apartamento do ilustre senhor Perelman é infestado de baratas.

domingo, 21 de março de 2010

O Cyberpunk como Alquimista Moderno

Cyberpunk é um gênero estético nascido dos exercícios literários de futurologia sobre os aspectos negativos da interação entre seres humanos e tecnologia.

O Cyberpunk como Alquimista Moderno
Texto de Timothy Leary e Eric Gullichsen. Tradução de Eduardo Pinheiro

A geração baby-boom cresceu num mundo eletrônico (de 1960 a 1970), de ligar e sintonizar telas de TV e de computadores pessoais. Os Cyberpunks, crescendo nos anos 80 e 90, desenvolveram novas metáforas, rituais, e estilos de vida para lidar com o universo da informação. Mais e mais de nós estão se tornando xamãs de fuzzy-logic e alquimistas digitais.

 Cena do filme Metropolis (1927) de Fritz Lang, considerado pioneiro dos filmes cyberpunk


Os paralelos entre a cultura dos alquimistas e dos adeptos cyberpunks de computadores são muitos. Ambos empregam conhecimento de um arcano oculto desconhecido pela população em geral, com símbolos secretos e palavras de poder. Os "símbolos secretos" compõe a linguagem dos computadores e matemática, e as "palavras de poder" instruem sistemas operacionais para realizarem tarefas hercúleas.
Conhecendo o preciso código de um programa digital permite que ele seja conjurado à existência, transcendendo assim o trabalho muscular ou a pesquisa mecânica. Ritos de iniciação e aprendizado são comuns a ambos. "Feitos psíquicos" de telepresença e ação a distância são realizados pela escolha de uma opção no menu. Jovens alquimistas digitais têm ao seu dispor ferramentas de inteligência e poder inimagináveis pelos seus predecessores. Telas de computador são espelhos mágicos, apresentando realidades alternativas nos vários graus de abstração ao controle (invocação) do alquimista. O mouse ou caneta da mesa digitalizadora são o bastão, controlando o fogo do monitor e amplificando a força criativa do operador. Discos rodopiantes, drives, são os pentáculos, inscritos com símbolos complexos, tabelas terrestres a receber a entrada do "ar," resultante da impressionante velocidade da eletricidade intelectual dos circuitos da CPU. Os chips RAM são literalmente, os buffers ("piscinas buffer"), a água, o elemento passivo capaz somente de receber e retransmitir a informação, a refletindo.
Programação visual iconográfica é um Tarô, o sumário pictórico de todas as possibilidades, ativado para adivinhação pela justaposição e influência mútua. É uma Tabela Periódica de possibilidades, a forma ocidental do I Ching oriental. Linguagens de programação tradicionais, orientadas por palavras - FORTRAN, COBOL, e o resto, são uma forma primitiva degenerada desses sistemas universais, grimórios de corporações orientadas para o lucro. Bancos de dados detalhados da atividade de sistemas operacionais formam os registros Akashicos numa escala microscópica. Num nível macroscópico, esta é a "rede mundial" de conhecimentos, a rede mundial de hipertexto, próxima de ser alcançada pela capacidade de armazenamento do CD-ROM e a transmissão de dados por fibra ótica - a "matriz" ciberespacial de William Gibson. Transmutação pessoal (o êxtase do "hack derradeiro") é um objetivo velado de ambos os sistemas. O satori da comunicação harmoniosa homem-computador resultante do regresso infinito os metaníveis de auto-reflexão é a recompensa pela conceitualização e execução perfeita das idéias.
A Universalidade do 0 e do 1 através da magia e da religião - yin e yang, yoni e lingam, copa e bastão - é manifestada hoje em dia por sinais digitais, os dois bits por trás da implementação de todos os programas do mundo em nossos cérebros e em nossos discos operacionais. Esticando um pouquinho, mesmo a mônada, símbolo da mudança e do tao, lembra visualmente um 0 e um 1 sobrepostos pela ação centrífuga da velocidade sempre maior da rotação da própria mônada, curvando sua linha central.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Miniverdade, Minipaz, Miniamor e Minifartura


O ministério da Verdade – ou Miniver, em Novilíngua – era completamente diferente de qualquer outro objeto visível. Era uma enorme pirâmide de alvíssimo cimento branco, erguendo-se terraço sobre terraço, trezentos metros sobre o solo. De onde estava Winston conseguia ler, em letras elegantes colocadas na fachada, os três lemas do Partido:
Guerra é Paz
Liberdade é Escravidão
Ignorância é Força
(Trecho de 1984, de George Orwell, na tradução de Wilson Velloso, para a Conpanhia Editora Nacional)