Deu início à bagunça. Há tempos estava lá amontoada num canto. E saiu tanto pó, tanta coisa, que resolveu fuçar mais. Revirou tudo sem procurar nada. Encontrou história, de vida. Um agregado de lembranças, ali naquele mesmo lugar: o passado. Definitivamente não vivia tal tempo, estava sempre ausente no presente. Rememora tudo. Data e sobrenome. Vestimenta e expressão. Cor e palavra. Topou com a vitrola antiga. Empoeirada. Atchim. Como t
antas outras coisas que deixou criar pó quando precisava apenas soprar. Avistou também um disco, aquele clássico Concierto. Deixou-se ouvir. Cada acorde. O primeiro foi direto no estômago, doeu. Percorreu veias, passou pelo coração e estacionou na memória. Ali reviveu momentos. Apoiou levemente a cabeça no sofá vermelho, desses já furados por netos e gatos. O compacto seguiu baixinho nas paredes da casa de silêncio cômodo, possível ouvir o pulsar da agulha. Toca-dor a compartilhar espaço com móveis doutra época. Permitiu-se passear acompanhando cada volta negra, brilhosa. Movimentos circulares. Bons ares aqueles. Sorriu. Episódio engraçado aquele baile. Esticou corpo, avistou o mesmo sapato pisado no canto do quarto, repousando. Como agora o par descansava, em paz. A nota mudou e levou rápido à festa surpresa. Os amigos faziam perceber a velhice. Escolhas pretéritas suas. Roupas e decoração. E que poder aquela música tinha? Perdida entre todas as datas. Microscópicas. Lembrou daquele passeio que fez absolutamente nada o dia inteiro, o melhor. O que fizera dos dias, pó? Sentiu ferrugem corroer certas lembranças. Chorou. Deixou mesmo ir embora, não se despediu. Viu a criança nascer. Sorriu seu primeiro riso. E que poder de transportação o da trilha. Aquela tarde virou seis, sete, oito da noite. Vizinhos não ouviam nada, nunca. Naftalina. Tanta gente bonita ficar feia, tanta gente fraca tornar forte. No presente o tempo corre mais rápido. Tempo atrás nada era assim. Ah, o meu tempo de guerra pelo ideal. Saudade. Aprisiona-se no instante musical. Aquele seu piano cantou história. Não restara ninguém pra contar. Adormeceu no pó das coisas.
antas outras coisas que deixou criar pó quando precisava apenas soprar. Avistou também um disco, aquele clássico Concierto. Deixou-se ouvir. Cada acorde. O primeiro foi direto no estômago, doeu. Percorreu veias, passou pelo coração e estacionou na memória. Ali reviveu momentos. Apoiou levemente a cabeça no sofá vermelho, desses já furados por netos e gatos. O compacto seguiu baixinho nas paredes da casa de silêncio cômodo, possível ouvir o pulsar da agulha. Toca-dor a compartilhar espaço com móveis doutra época. Permitiu-se passear acompanhando cada volta negra, brilhosa. Movimentos circulares. Bons ares aqueles. Sorriu. Episódio engraçado aquele baile. Esticou corpo, avistou o mesmo sapato pisado no canto do quarto, repousando. Como agora o par descansava, em paz. A nota mudou e levou rápido à festa surpresa. Os amigos faziam perceber a velhice. Escolhas pretéritas suas. Roupas e decoração. E que poder aquela música tinha? Perdida entre todas as datas. Microscópicas. Lembrou daquele passeio que fez absolutamente nada o dia inteiro, o melhor. O que fizera dos dias, pó? Sentiu ferrugem corroer certas lembranças. Chorou. Deixou mesmo ir embora, não se despediu. Viu a criança nascer. Sorriu seu primeiro riso. E que poder de transportação o da trilha. Aquela tarde virou seis, sete, oito da noite. Vizinhos não ouviam nada, nunca. Naftalina. Tanta gente bonita ficar feia, tanta gente fraca tornar forte. No presente o tempo corre mais rápido. Tempo atrás nada era assim. Ah, o meu tempo de guerra pelo ideal. Saudade. Aprisiona-se no instante musical. Aquele seu piano cantou história. Não restara ninguém pra contar. Adormeceu no pó das coisas.
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